Folhablu | Nossas ruas, nossa gente: Rua Itajaí


Nossas ruas, nossa gente: Rua Itajaí

Publicado em: 2011-05-06 11:01:34

Novamente citamos José Ferreira da Silva, que no seu Relatório dos Negócios Administrativos de Blumenau, no distante ano de 1938, quando prefeito, enfatizava: "A entrada da cidade, no entroncamento da Rua XV de Novembro com a Minas Gerais, era estreitíssima. Media 7 metros apenas de largura, insuficientes para dar vazão ao trânsito que aumenta diariamente e constituindo um sério perigo. Determinei seu alargamento para 12 metros... Na Rua Minas Gerais, foram também construídos meios fios e intimados os proprietários de terras marginais a levantarem muros e passeios. Dentro de alguns meses, a entrada da cidade apresentará feição moderna e alegre."

A entrada da cidade a que se referia Ferreira da Silva, era o Vorstadt, que no idioma alemão quer dizer entrada da cidade, e a rua, nada mais é do que a atual Rua Itajaí, que desde 18 de agosto de 1942, passou assim a denominar-se, mas que antes ainda de Minas Gerais, era conhecida como Beco Laux. O alargamento, nas proximidades de onde hoje situa-se o Centro de Saúde, foi feito diretamente na rocha. Essas providências tornavam-se extremamente necessárias, pois, por ali passava toda a mercadoria originária do planalto com destino ao litoral, cujo movimento crescia de forma gradativa, pela exportação da madeira de pinho, e da utilização do caminhão como moderno meio de transporte.

Ilustres blumenauenses que fazem parte da nossa história tiveram como endereço residencial, dependendo da época, o Beco Laux, ou a Minas Gerais ou a contemporânea Rua Itajaí. São os casos dos médicos Hugo Grensch - que por razões humanitárias adotou como filha a pequena índia Maria -, cuja residência ficava frente à Sulfabril, e o doutor José Bonifácio Cunha, baiano, que além de ter cuidado dos nossos doentes, foi político ativo, tendo gerido os destinos da então Blumenau colônia, como superintendente municipal. Morou nas proximidades do Hospital Santo Antônio. Porém, o mais ilustre de todos foi sem dúvida Frtiz Müller, que em 1854, juntamente com seu irmão August, transferiu-se para os lotes comprados à margem direita do Itajaí-Açu, vizinhos às terras dos pioneiros Peter Wagner e seu cunhado Peter Lucas. A casa em estilo enxaimel por ele construída, transformada em museu em 1938.

Aquela trilha sinuosa e estreita, inicialmente utilizada pelos Müller, Wagner e Lucas, para alcançar o centro administrativo da "kolonie", aos poucos foi se alargando, tornando-se um caminho; novos habitantes distribuíram-se ao longo do mesmo... Eram os Radtke, os Gropp, os Koch, os Schneider, os Poerner que chegavam, era o Hospital de caridade (Santo Antônio), que em 1876 começou a funcionar no então Beco Laux. Agora uma estrada já ligava Blumenau à vila de Gaspar. Tudo rola mais depressa com a chegada do automóvel. O Ministério da Agricultura, em 1911 instala o seu Posto de Meteorologia no Vorstadt; os primeiros ônibus da Hahn & Darius começam a levantar poeira na entrada da cidade; duas vezes por semana passavam por ali com destino à capital.

A olaria dos Koch fabrica telhas e tijolos para toda região. O novo Centro de Saúde de Blumenau é inaugurado em 1945 e a febre industrial que se abate sobre Blumenau, ali também se faz presente e com a Sulfabril, em 1947, iniciando num galpão dos Breitkopf, que já lidavam com oficina mecânica. Bares famosos também fizeram parte da história dessa nossa movimentada artéria. A começar pelo Bar e Hotel Estrela, na esquina com a XV de Novembro, passando pelo Bar Viaduto e o Bar Ferroviário de Vidal Pereira, um flamenguista "doente".

A educação das crianças não podia ficar para trás, por isso a Escola Reunida Fernando Machado, de Aguada, ensinava as primeiras letras. Aguada situava-se onde hoje está o centro desportivo do Sesi, e era assim conhecido porque ali os veículos passavam por dentro d'água de dois pequenos ribeirões. Com a implantação da Rodovia Jrge Lacerda na década de 60, a rua foi retificada e Aguada perdeu seu encanto.

Importante ressaltar que foi na Rua Itajaí, em terras dos Radtke, próximo ao Ribeirão das Cabras, que a 28 de julho de 1893, ocorreu um fato que ficou marcado de forma inesquecível na mente dos blumenauenses. Naquele dia, um corpo de voluntários contando com um pouco mais de uma centena de voluntários da então colônia, chefiados por Gottlib Reif, que amparavam os republicanos, derrotaram os federalistas que em número bem maior pretendiam invadir e tomar conta da vila. Os invasores, pegos de surpresa na barricada formada pelos nossos, tiveram vários feridos, alguns mortos e, após rápida refrega, bateram em retirada. Vinte e oito de julho foi por muitos anos comemorado como uma vitória do bem contra o mal.

Por Evilázio de Souza


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