Folhablu | Nossas ruas, nossa gente: Alwin Schrader


Nossas ruas, nossa gente: Alwin Schrader

Publicado em: 2010-12-02 15:53:04

Quem anda por estas ruas blumenauenses, novas, velhas, jovens, antigas, enrugadas, bem ou mal conservadas, às vezes, na pressa do dia a dia, na velocidade do carro, nem nota aquela placa lá na esquina. A maioria não sabe ou quase nada sabe a respeito da pessoa ali nominada. Com o intuito de esclarecer o nosso leitor, achamos por bem refletir um pouco sobre o que fizeram, como viveram, o que representaram e que serviços prestaram à nossa comunidade para terem seus nomes expostos em nossos logradouros públicos.

Sem qualquer sequência lógiva ou preferência por este ou aquele homenageado, depois de Amadeu da Luz e Theodoro Holtrup, esta reportagem falará de um homem público dos mais operosos da nossa história: Alwin Franz Schrader.

A antiga Rua Piauhi, que nos primeiros anos da colônia fora Rua dos Atiradores, passou a denominar-se Alwin Schrader, por decreto municipal de 6 de setembro de 1945. Uma honraria prestada ao seu mais ilustre residente, que havia falecido alguns meses antes e cuja casa pode ainda hoje ser admirada, levando o número 1 daquela via pública.

Filho de imigrantes alemães, Alwin Schrader nasceu em Blumenau a 26 de dezembro de 1869 e aqui aprendeu as primeiras letras, terminando seus estudos na pátria de seus pais.

Seu objetivo era continuar os estudos e formar-se em farmácia ou medicina. No entanto, pelas circunstâncias, viu-se obrigado a antecipar seu retorno para Blumenau, a fim de assumir os negócios de seu pai, que retirava-se para merecido descanso. Começava aí a aflorar seu enorme tino comercial, assim como, administrativo, tanto nas coisas particulares quanto nas coisas públicas. Geriu por muitos anos a casa comercial que fora de seu progenitor, dando-lhe grande impulso, transformando-a em Schrader & Cia. Foi co-fundador do Sindicato Agrícola de Blumenau e por trinta anos presidiu a Caixa Agrícola Cooperativa, que também denominou-se Caixa Agrícola de Blumenau e Banco Agrícola de Blumenau S/A, tudo sob a sua orientação. Como industrial, foi diretor gerente da Empresa Industrial Garcia e diretor-presidente da Fábrica de Gazes Medicinais Cremer.

Homem público metódico e minucioso, conduziu os destinos de Blumenaupor três períodos consecutivos, sempre alcançando votação massiva da população. Foi prefeito de 1903 a 1914. Representou também os interesses blumenauenses como deputado estadual durante uma legislatura, de 1925 a 1928.

Sobre sua administração à frente do município, José Ferreira da Silva nos legou em seu Blumenau em Cadernos: "Durante esse governo, foi inaugurada a Estrada de Ferro Santa Catarina (1909), de Blumenau a Hansa; a iluminação elétrica; a ponte de ferro sobre o Ribeirão Garcia e a Ponte do Salto; foram abertas várias estradas, entre as quais, a da margem esquerda do Itajaí; criados os distritos de Hamônia e Bela Aliança; e muitos outros melhoramentos foram introduzidos, inclusive no setor da instrução pública, com a criação de várias escolas isoladas e a inauguração, pelo Estado, do Grupo Luiz Delfino."

Do compêndio 1º Centenário da Companhia Comercial Schrader, citamos: "Administrador honesto e consciencioso, traçou e executou sua política financeira com ponderação e cautela, lançando sólidos alicerces sobre os quais Paulo Zimmermann e Curt Hering, posteriormente, construíram o município que viria a ser orgulho de Santa Catarina e do Brasil".

Sofrendo de problemas renais por muitos anos, em 1939 teve seu mal agravado, levando-o a buscar recursos médicos na Alemanha. A eclosão da Segunda Grande Guerra Mundial, apanha-o de surpresa, impedindo-o de regressar ao Brasil, vindo a falecer a 9 de março de 1945, em solo alemão. Atendendo seu interesse derradeiro, seus restos mortais foram trazidos por sua família para Blumenau dois anos após. Suas cinzas encontram-se recolhidas junto ao túmulo de sua esposa e perto de tudo aquilo que tanto amou e ajudou a construir.

Por Evilázio de Souza

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