Folhablu | Nossas ruas, nossa gente: Alameda Rio Branco


Nossas ruas, nossa gente: Alameda Rio Branco

Publicado em: 2011-03-22 15:45:35

"Essa é uma das mais importantes artérias da cidade. Com 24 metros de largura, extensa e edificada com edifícios modernos, constitui um dos mais aprazíveis recantos de Blumenau. Foi, entretanto, arborizada há anos, com plátanos plantados em alas distantes quatro metros dos passeios, de forma que não se podia aproveitar dela senão oito metros de rua trafegável. Resolvi modificar a arborização dessa artéria, dando-lhe aspecto mais moderno, removendo os inconvenientes apontados." O texto acima é de José Ferreira da Silva, inserido no Relatório do Município de 1939, durante sua gestão à frente da municipalidade.

Realmente, parafraseando Ferreira da Silva, uma das mais importantes artérias da cidade. Tão importante que foi a primeira rua de Blumenau a ser revestida com asfalto. No centenário, em 1950, já exibia essa roupagem. Tão importante, que residir na Alameda Rio Branco ou numa de suas transversais, até o final de década de 70, era um privilégio almejado e invejado por muitos. Lá na Alameda só moravam os bem sucedidos, pessoas de "posses". Lá na Alameda, simplesmente! Porque desde que trocou o nome de Kaiserstrasser para Alameda Rio Branco, passou a ser chamada popularmente Alameda... Simplesmente Alameda.

Nos primórdios da colonização já constava dos primeiros mapas, como Kaiserstrasser - Rua do Imperador -, uma homenagem que o próprio doutor Blumenau fazia ao imperador dom Pedro II, a quem muito admirava. Quando era renominada para Alameda Rio Branco pelo Decreto 124, de 19 de abril de 1919, sua urbanização começava a acentuar-se e construções de linhas rebuscadas multiplicavam-se rapidamente. Até as duas grandes enchentes de 1983 e 1984, a Alameda era exclusivamente residencial, com exceção à quadra entre as ruas XV de Novembro e Sete de Setembro, onde situavam-se a agência dos Correios e o "Busch's, Kino", que por décadas a fio proporcionou momentos de lazer aos blumenauenses, primeiramente, num salão improvisado no Hotel Holetz, e posteriormente, a partir de 1940, em prédio próprio, já com o nome aportuguesado - Cine Busch.

Foi numa das residências da Alameda, que um grupo de senhoras fundou a Sociedade Evangélica Senhoras de Blumenau, responsável pela edificação, em 1923, da Maternidade Johannastift, cujo prédio ainda hoje pode ser admirado. Também o Grêmio Esportivo Olímpico, concretizando um sonho de seus simpatizantes, construiu entre o Ribeirão Garcia e a Alameda, o aconchegante Estádio da Baixada, que proporcionou um dos maiores públicos que já transitou por aquela via, naquele domingo festivo, porém cinzento, quase chuvoso em que decidiu o título de campeão catarinense de futebol. Outro dia de grande movimento, aconteceu em setembro de 1935, oportunidade em que enorme massa popular cruzou a Alameda em direção ao campo da Sociedade Ginástica, para ver e ouvir o chefe do Partido Integralista Nacional (Camisas Verdes), Plínio Salgado, que visitava Blumenau.

Era nas noites de quarta-feira, por volta de 1950/60, que a Alameda ficava toda perfumada. Casais de namorados, de mãos dadas, felizes da vida, desfilavam por aquela rua descontraidamente. Às vezes davam uma pernada até a XV, para apreciar as vitrines da Buerger, da Peiter Modas, ou assistir a um filme no Cine Busch... Comum na época moças vindas dos interiores próximos, geralmente de origem alemã ou italiana, trabalharem nas finas residências do bairro. A rapaziada, de olho, logo, logo, "fisgava" uma e aproveitando as folgas das "belas" nas quartas-feiras à noite, o namorico comia solto. Muitos casamentos foram frutos dessa época.

A partir das grandes enchentes de 1983 e 1984, as construções na Alameda Rio Branco foram se verticalizando e as residências, destinadas a fins comerciais, transformando-se o bairro em zona mista. Hoje na rua, a oferta de bons restaurantes rivaliza-se com o grande número de clínicas, justamente pela sua localização na área central da cidade e proximidade com o Hospital Santa Isabel. Devido ao grande carisma e à elitização da qual a Alameda Rio Branco sempre foi alvo, um novo comércio se instalou naquela região, com a abertura de lojas de alto nível.

Por Evilázio de Souza


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