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Quando eu morrer

Publicado em: 2010-03-10 13:34:41

Quando eu morrer, se quiserem saber da minha vida

Digam que ao escrever poemas eu regurgitei

Tudo o que de ruim e doloroso recebi de herança ao nascer.

O dia em que nasci foi o de deixar um outro mundo

E concebido nove meses antes de habitar a terra

Com a pior poluição do planeta, os chamados seres humanos.

Quando eu morrer, leiam meus poemas e me esqueçam

Eu fui muito mais o que escrevi do que eu mesmo

Cada lágrima, vagido, horror ou neura deixei em palavras

Minha mãe foi a solidão e meu pai foi um acordeom vermelho

A vida é só tristeza e eu nunca me coube direito em mim

Escrever foi a homeopatia que me salvou de ser humano.

Se eu quisesse a lua certamente me dariam o inferno

Se eu sonhasse castanhas assadas me dariam cianureto

Nas humilhações fui enfezado e isso mexeu com meus motores.

Capturei imagens, fugi no letral, habitei o mundo-sombra

Despossuí-me de mim para ser o sentidor, o louco varrido

A vida não me deu limões mas fiz limonadas de lágrimas.

Hoje eu olho tudo o que sou e tudo o que tenho como fruto

De mágoas, ojerizas, lamentos e decomposições do eu de mim

E tenho medo, muito medo; um quase humano insatisfeito

Com meu destino trágico, as portas sensoriais abertas, e ainda

Os fantasmas que me nutriram e que se alimentam do meu ódio

E me parecendo com algum humano fujo dos cacos de espelhos.

Por Silas Correa Leite


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