Folhablu | Fi-lo porque qui-lo, entre... e, o elevado, à baila


Fi-lo porque qui-lo, entre... e, o elevado, à baila

Publicado em: 2017-04-09 08:25:30

 

 

 

 

 

 

Como usar: entre 12 e 15 ou 12 a 15? Adroaldo, São José (SC)

 

A correlação certa é entre... e ou de... a. Portanto: entre 12 e 15 ou de 12 a 15. Exemplos:

 

  • O evento acontecerá de 10 a 20 de maio próximo.

  • Ele nos disse que passaria por Veneza entre os dias 21 e 30 do corrente mês.

 

A minha pergunta pode de início parecer absurda ou mesmo tola mas me foi feita em sala de aula e não soube respondê-la. Todos os símbolos gráficos têm um nome, * (asterisco), ~ (til), etc.  Como são denominados os seguintes - º  e  ª  -  usados em abreviaturas? Paulo Alexandre da Frota

 

Não existe um nome específico para o º e ª usados não só em abreviaturas mas em algarismos. O Manual da Presidência da República (Regulamentação, página 25) chama de "símbolo de número ordinal" ao tratar do primeiro dia do mês (1º). No entanto, genericamente falando (pois não se trata apenas de números) temos aí a letra a reduzida ou o reduzido, observe: primeiro = 1º; primeira = 1ª; professora = profª = profa.; amigo = amº. Também se pode dizer a ou o elevado ou em tipo alto.

 

Qual o significado da expressão "à baila"? S.C.L.U.C., Brasília (DF)

 

A palavra baila é antiga: queria dizer o espaço cercado onde se realizavam torneios de cavalaria. Já a expressão à baila é empregada quase que somente em locuções, como:

 

  • Chamar (trazer) à baila: fazer que se manifeste; provocar um assunto.

  • Vir à baila: vir a propósito; fazer-se lembrado oportunamente.

  • Andar (estar) na baila: ser chamado ou citado frequentemente; estar em evidência.

 

Faz um tempo recebi a seguinte pergunta: “Gostaria de saber por qual motivo alguns professores dizem essa frase: 'filo porque quilo', e se a mesma tem sentido correto.”

 

Devo esclarecer que a grafia é com hífen: Fi-lo porque qui-lo, que de outra forma fica: (eu) o fiz porque o quis. O sentido está correto, mas a estrutura não, pois a conjunção porque atrai o pronome: “fi-lo porque o quis” (ou seja, fiz isso porque quis assim). Só que desta maneira ela perde a graça, daí a inversão do pronome, para soar como quilo/kg. A frase foi atribuída a Jânio Quadros, por brincadeira - ele nunca a admitiu como sua, até mesmo porque, como professor de português, não iria errar na colocação pronominal.

 

Aproveito para transcrever um trecho da crônica Dito&Feito de Fernando Sabino publicada em 2 de outubro de 1988 no Jornal do Brasil:

 

E por falar em pronome oblíquo, restaure-se a verdade histórica: Jânio Quadros jamais teria falado “fi-lo porque qui-lo”, como hoje é voz corrente na boca do povo.

 

Se há uma virtude que ninguém lhe nega é a de saber colocar os pronomes com muito mais precisão que as ideias, e seria imperdoável que não lhe ocorresse, como ordenam os puristas, que a conjunção atrai o pronome.

 

O que ele realmente disse, ainda nos primórdios de seu requinte vocabular, foi bem mais simples, e a propósito de uma entrevista concedida, quando governador de São Paulo, ao jornalista mineiro Marcelo Tavares.

 

Atendendo exigência sua, Marcelo levou-lhe as perguntas por escrito. Depois de lê-las atentamente, Jânio voltou-se para ele:

 

- Boas perguntas. Fê-las o senhor mesmo?

- Fi-las - Marcelo respondeu, sem piscar.

Jânio o olhou com surpresa:

- Amas também a forma oblíqua?

 

Por Maria Tereza de Queiroz Piacentini

Diretora do Instituto Euclides da Cunha

 


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