Folhablu | Agente de polícia, visar (a) e pego


Agente de polícia, visar (a) e pego

Publicado em: 2012-08-14 15:52:27

O leitor S. A. M. G., de João Pessoa (PB), anota que é uma agressão à nossa língua “dizer agente de polícia civil ao invés de agente da polícia civil, pois se perguntarmos ao agente onde ele trabalha certamente ouviremos como resposta na polícia, e não em polícia”.

Não creio que seja bem assim. Vejamos por que digo isso.

A rigor, uma vez que se qualifique ou determine o segundo substantivo de uma locução, deveria se determinar o antecedente usando da e não de. Por exemplo: ele é chefe de gabinete. Se o gabinete é da presidência, se diria, como consequência: ele é o chefe do gabinete da presidência. Mas também é lícito dizer “chefe de gabinete da presidência” quando se quer ou se precisa manter a unidade da expressão "chefe de gabinete". Isto é: ele é chefe de gabinete (do gabinete) da presidência. Subentende-se a repetição da palavra “gabinete”.

Outro caso semelhante é o do “projeto de lei orçamentária”, que está registrado, por exemplo, inúmeras vezes na Constituição Federal. Pode parecer estranho, mas tem a mesma lógica: o projeto de lei (da lei) orçamentária. Nesse tipo de estrutura está se evitando – reitero – a repetição do segundo substantivo (lei), que então estaria determinado pelo artigo. O "projeto de lei" forma uma unidade “imexível”: o “projeto da lei orçamentária” seria outra coisa, diferente do “projeto de lei (da lei) orçamentária”.

Chegamos, então, ao agente de polícia. O seu cargo é exatamente este: agente de polícia, assim como “delegado de polícia”. Mas qual polícia? perguntamos. – A Polícia Civil. Portanto, ele é um agente de polícia da Polícia Civil. Sem a repetição, dizemos: um agente de polícia civil.

Regência de visar

A pedido, repetimos a regência do verbo visar.

1 - Com o sentido de "dirigir o olhar ou a pontaria; pôr o visto em", é transitivo direto:

- Visou o alvo/a refém/os pardais.

- Os fiscais visaram o passaporte e demais documentos.

- O gerente financeiro deve visar a folha de pagamento.

2 - Com o sentido de "propor-se, dispor-se, ter em vista, pretender, objetivar", pode ser transitivo indireto (com a preposição "a") ou direto:

- O ensino visa ao progresso social.

- O novo ambulatório visa a atender a população de baixa renda.

- As notas, porém, visavam mais o professorado que os alunos.

- As medidas propostas visam acabar com a corrupção no Brasil.

Pego ou pegado?

Hoje em dia usam-se indiferentemente os dois particípios – pego e pegado, seja com os auxiliares ter/haver, seja com ser/estar. Pego é a forma inovada e pegado a forma tradicional. Exemplos:

- Ele foi pego em flagrante.

- Ele foi pegado à força.

- Não tenho pego resfriado ultimamente.

- Não temos pegado peixes graúdos.

Por Maria Tereza de Queiroz Piacentini

Diretora do Instituto Euclides da Cunha

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