Folhablu | Linguagem híbrida marca a performance dos bailarinos Maria Claudia Reginato e Rodolfo Lorandi


Linguagem híbrida marca a performance dos bailarinos Maria Claudia Reginato e Rodolfo Lorandi

Publicado em: 2018-11-05 14:39:45

Depois de apresentar em cinco estados brasileiros - RO, AC, AM, PE e PA -, de ser vista em Treze Tílias, Criciúma, Chapecó e Florianópolis, a performance Karma chega a Blumenau onde os bailarinos Maria Claudia Reginato e Rodolfo Lorandi também oferecem a oficina Ao Começar em Você Também Começa em Mim, É Sobre Nós e sobre Você.

 

O projeto é legitimado pelo Edital Elisabete Anderle 2017 de Estímulo à Cultura, prêmio que assegura a circulação em cidades de Santa Catarina. Nesta segunda-feira, dia 5, na sala Caixa Preta do campus 1, do Departamento de Artes da Universidade Regional de Blumenau (Furb), a performance poderá ser vista, às 19h, seguida da oficina que começa às 20h30. Terça, dia 6, no mesmo local, a performance será às 8h e a oficina a partir das 9h30. A intenção é compartilhar conhecimento, pesquisa e dança com o maior público possível, democratizar o acesso à dança e suas ferramentas. As ações, portanto, são gratuitas e tem classificação livre, com ingressos distribuídos uma hora antes de cada apresentação. A oficina voltada aos interessados numa experiência de aprendizagem corporal exige inscrição que pode ser feita em rodolfolorandi@hotmail.com, facebook.com/claudiaerodolfo/ e whatsapp (48) 9-96070967.

 

Karma aposta em aguda percepção, emoção e fluidez. Propõe reflexões sobre o universo, a existência, as escolhas, o encontro humano. O ponto de partida da criação são pesquisas que envolvem a dança de salão, a Grão Cia. de Dança, de Florianópolis, vivências com contato improvisação, dança contemporânea e pesquisa corporal através da fisioterapia e do gyrotonic. Com uma linguagem híbrida, a performance se constitui como processo em dança de salão que mistura o pensamento artístico do casal e filosofias budistas, espíritas e indígenas, literatura e teorias sobre física e multiversos, além de questões sobre condução, identidade e gênero. Na gênese da obra, um pouco do pensamento do cientista Carl Sagan (1934-1996), do escritor argentino Jorge Luiz Borges (1899-1986) e do autor mexicano José A. Sánchez.

 

“Cada apresentação é única, nosso estado corporal e emocional no dia nos guiam em cena, o respeito pelo estado individual do outro e a não expectativa no outro são importantes. Conseguir lidar com o imprevisível faz com que cada momento seja único e tenha a sua peculiaridade, deixando então que o potencial gerado por isso seja verdadeiro para ambos e para quem assiste”, sintetiza Maria Claudia. Rodolfo Lorandi complementa: “Experimentar o próprio tempo, questionar, fazer arte e olhar para o todo e para nós mesmos é uma forma de se estar presente, nos reconhecendo únicos, mas também como um mesmo organismo”, diz Maria Claudia. “Se somos uma de muitas representações de nós mesmos, onde fica a linha que separa o real da representação? Como a experienciamos? O que se escolhe dizer ou fazer, como se é e como se está são questões deste trabalho, assim como os acontecimentos e emoções trazidas pelas pessoas para junto da cena”.

 

A oficina Ao Começar em Você Também Começa em Mim, É Sobre Nós e sobre Você se dá em uma hora e meia. Sem pré-requisitos e livre, só pede roupas confortáveis e vontade de participar. O objetivo é permitir através de atividades ministradas pelos bailarinos que diferentes públicos tenham acesso as ferramentas utilizadas e/ou desenvolvidas na pesquisa e criação da performance. A oficina performativa coloca o participante em cena e horizontalmente com a pesquisa. Fluxo e a cinestesia em grupo, armar e desarmar articulações, movimentar-se através do corpo do outro, gerar ou desviar fluxo, manipulação corporal muscular e articular, contato e condução, a fala potencializada pelo movimento, estratégias de interação em dupla e em grupo são algumas das práticas adotadas.

 

“Karma é experiência, a experiência cria memória, a memória cria imaginação e desejo e o desejo cria um novo karma” (Deepak Chopra). Karma é a palavra usada para significar nossa dança neste projeto, uma representação de nós e de todos. Muitas religiões acreditam na evolução da alma, na vida como passagem e aprendizado. Ao longo da história da humanidade, muitos povos demonstraram interesse em entender mundos terrenos e espirituais. A ciência busca vestígios de outras vidas, às vezes flerta com a existência de multiversos - seria o universo apenas uma de infinitas variações dele próprio? Seremos nós, uma de muitas possibilidades de nós mesmos? No mundo terreno, no espiritual, na física, na filosofia e na dança cabe questionar a realidade e crescer com a experiência, algo capaz de fazer emergir a nossa humanidade e instaurar um karma coletivo. Karma reflete sobre o início e fim dos corpos, das falas, pensamentos e ações. Ao buscar inspiração na infinitude do cosmos através das pesquisas de Sagan, perguntamos: se o universo tem mais de 13 bilhões de anos e somos os segundos finais desse tempo, é mesmo possível chegar a alguma conclusão? A livre poesia da palavra karma deflagra perguntas sobre os desejos - quais movimentos repetimos? Quais as ações cotidianas e quais palavras proferimos ou pensamos mais vezes? Karma fala de um imenso silêncio chamado universo, aborda o desconhecido e o imprevisível, reflete as escolhas e o encontro com o próprio eu através do outro, traz inspiração para o movimento no presente, passado e futuro, instaura bolhas atemporais que se expandem pelas vivências que nos guiam em cena.

 

 

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