Folhablu | Em pauta, a saúde do homem


Em pauta, a saúde do homem

Publicado em: 2009-11-25 13:48:01

De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (Sim) do Ministério da Saúde, em 2007, a cada três pessoas que morreram no Brasil com idades entre 20 e 59 anos, duas eram homens. Se analisarmos os óbitos de brasileiros entre 20 e 30 anos, tal proporção sobe para quatro em cada cinco mortes. De acordo com o sistema, de todos os óbitos que ocorrem no País, os homens correspondem a quase 60% e as principais causas de morte na população masculina são as doenças do aparelho circulatório, as causas externas, como homicídios e acidentes, e o câncer, respectivamente.

Informações do Vigitel Brasil 2008, um sistema de vigilância para doenças crônicas, realizado por meio telefônico, apontam que fatores de risco para diversas doenças, como o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e o excesso de peso, são mais frequentes entre homens que entre mulheres. Por outro lado, o consumo regular de frutas, verduras e legumes, fator de proteção para a saúde, é menor na população masculina.

Com base nessas e em outras informações, o Ministério da Saúde lançou em agosto a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. Médico especializado em saúde pública, Baldur Schubert, coordenador da área técnica de Saúde do Homem, esclarece a importância dessa iniciativa inédita, que coloca o Brasil na vanguarda das ações em relação à população masculina. O programa pretende estimular que, pelo menos, 2,5 milhões de homens, entre 20 e 59 anos, procurem o serviço de saúde, ao menos uma vez por ano.

“Queremos orientar os homens para que cuidem mais da saúde. A mulher, devido à maternidade, assume mais o papel de cuidadora. Queremos contar com ela também”, alerta Baldur. Os homens são, em geral, acometidos por uma série de doenças, como hipertensão e diabetes, por exemplo, que poderiam ser descobertas e tratadas com antecedência. “O homem tem que mudar a sua visão em relação à saúde e perder o medo de procurar o médico. Certamente, se fizesse isso, viveria mais e melhor”, afirma.

Aos 65 anos, casado há 35 anos, pai de três filhas, de 30, 28 e 26 anos, Baldur conta que vai ao médico uma vez ao ano para realizar seus exames preventivos. Natural de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, ele pratica, com regularidade, natação, hidroginástica e musculação. Como médico e como homem, Baldur recomenda que a população masculina faça um investimento para viver mais e melhor: “Precisamos cuidar mais de nós mesmos, indo ao médico, cultivando hábitos saudáveis, não fumando, evitando o álcool e buscando uma alimentação equilibrada”.

Que cenário levou o ministério a pensar em uma política voltada especialmente para a população masculina?

Baldur Schubert: A constatação de que, na maioria das vezes, os homens recorrem aos serviços de saúde apenas quando a doença está mais avançada. Assim, em vez de serem atendidos no posto de saúde, perto de sua casa, eles precisam procurar um especialista, o que gera maior custo para o Sistema Único de Saúde (Sus) e, sobretudo, sofrimento físico e emocional do paciente e também de sua família. A não adesão às medidas de saúde integral por parte dos homens leva ao aumento da incidência de doenças e de mortalidade. Números do Ministério da Saúde mostram que, do total de mortes na faixa etária de 20 a 59 anos – população que é alvo da nova política –, 68% foram de homens. Além disso, números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, embora a expectativa de vida dos homens no País tenha aumentado de 63,2 para 68,92 anos, no período de 1991 a 2007, ela ainda se mantém 7,6 anos abaixo da média das mulheres.

Em que informações a política está baseada?

Schubert: Entre os subsídios da política está uma pesquisa feita com sociedades médicas brasileiras e conselhos de saúde. Divulgado em 2008, o levantamento ouviu cerca de 250 especialistas e mostrou que a população masculina não procura o médico por conta de barreiras culturais, entre outras. As ações da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem buscam romper os obstáculos que impedem os homens de frequentar os consultórios médicos. Com essas medidas, o governo quer incentivar também a participação dos homens no planejamento familiar, responsabilidade que ainda hoje em muito recai sobre a mulher.

Qual o objetivo do governo federal ao instituir a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem?

Schubert: A política foi lançada no dia 27 de agosto, com a meta de que, pelo menos, 2,5 milhões de homens, na faixa etária de 20 a 59 anos, procurem o serviço de saúde ao menos uma vez por ano. Além dessa mudança cultural na visão do homem em relação à sua saúde, a política cria mecanismos para melhorar a assistência oferecida a essa população.

Serão investidos mais de R$ 600 milhões nessa ação. Como será a distribuição desses recursos?

Schubert: O investimento previsto no plano de ações decorrente da política será de R$ 613,2 milhões até 2011. A política tem um plano dividido em nove eixos de ação para os próximos dois anos e prevê o aumento de até 570% no valor de procedimentos urológicos e de planejamento familiar, como vasectomia, e a ampliação em até 20% no número de ultrassonografias de próstata. Destinará também R$ 455 milhões para a capacitação e o treinamento de profissionais de saúde. Desse total, R$ 91 milhões serão exclusivos para o atendimento da população masculina entre 20 e 59 anos. Dentro desse projeto, o Ministério da Saúde capacitará 32 mil médicos das Equipes de Saúde da Família e vai elaborar uma estratégia para inserir a saúde do homem nos conteúdos de educação a distância do Telessaúde. Esse treinamento será planejado e realizado por cada Estado. Outro foco será o treinamento de pessoas de nível médio em áreas técnicas estratégicas para a saúde, além de recursos da ordem de R$ 27 milhões para a compra de insumos e equipamentos e contratação de recursos humanos até 2011.

Como os homens resistem em procurar o médico, o que será feito para mudar esse padrão?

Schubert: Há recursos no montante de R$ 17,6 milhões para ações de comunicação e educativas para incentivar os homens a procurar os serviços de saúde. Outro eixo de ações do governo federal será a campanha de prevenção e orientação para a população masculina, com investimento de R$ 10 milhões nos próximos dois anos. Esse eixo inclui a Semana de Promoção da Saúde do Homem, a ser realizada sempre no mês de agosto. Além disso, o Ministério da Saúde vai distribuir 26,1 milhões de cartilhas sobre prevenção, diagnóstico, tratamento de câncer e promoção de hábitos saudáveis. Também serão enviadas para os Estados 6,52 milhões de cartilhas, até 2011, com informações e orientações a respeito de direitos sexuais e reprodutivos e métodos anticoncepcionais para homens.

Como o controle do câncer se insere nessa política de atenção ao homem?

Schubert: A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de que 49.530 homens tenham câncer de próstata este ano. Esse número representa 52,43 casos da doença a cada 100 mil homens. Ainda de acordo com o Inca, a taxa de mortalidade por câncer de próstata passou de 6,31 óbitos por 100 mil homens para 13,93, de 1979 para 2006 – o que representa um aumento de 120%. Como esse tumor geralmente apresenta uma evolução muito lenta, o Ministério da Saúde pretende evitar os óbitos por meio do diagnóstico e tratamento precoce da doença. O Ministério da Saúde também quer ampliar em 10% ao ano o número de cirurgias para patologias e cânceres do trato genital masculino, passando de 100 mil, em 2008, para 110 mil, este ano, e 121 mil, até 2010. Com um investimento de R$ 73,6 milhões em dois anos, essa iniciativa ampliará o acesso ao tratamento, por exemplo, do câncer de pênis, um tumor relacionado com as baixas condições socioeconômicas e com a má higiene íntima. No Brasil, esse câncer representa cerca de 2% de todas as neoplasias que atingem o homem, sendo mais frequente nas Regiões Norte e Nordeste. Mas é importante lembrar também que os homens são os mais atingidos por câncer de pulmão, traqueia e brônquios, devido ao tabagismo.

As causas externas de mortalidade também são uma preocupação?

Schubert: No Brasil, os acidentes de transporte terrestre ocupam a segunda posição entre as mortes por causas externas, sendo ultrapassados apenas pelos homicídios. Com relação às mortes causadas pelo trânsito, o País apresentou, em 2006, valores em números absolutos muito elevados de óbitos por esse tipo de acidente. Foram 35.155 óbitos, concentrados no seguinte perfil: homens (82%), adultos jovens (de 20 a 59 anos), residentes nos municípios de pequeno porte populacional. O risco de morte é mais acentuado para atropelamentos, entre idosos; para ocupantes de veículos, no grupo de 20 a 59 anos; e para motociclistas, no grupo de 20 a 29 anos. No que diz respeito às internações por acidente de trânsito, os piores dados também estão entre os homens.

Como o Brasil se apresenta internacionalmente em relação à saúde da população masculina?

Schubert: O País será o primeiro da América Latina e o segundo do continente americano a implementar uma política nacional de atenção integral à saúde do homem. O primeiro país a criar esse tipo de iniciativa foi o Canadá.

Da Ravista Rede Câncer

Fale com a FolhaBlu

MSN: msn@folhablu.com.br

Skype: skype@folhablu.com.br


Fale com a Folhablu

Fones: (47) 3232 7154 | 9138 4105
Redação: webmaster@folhablu.com.br
Comercial: comercial@folhablu.com.br
Financeiro: financeiro@folhablu.com.br
Skype: skype@folhablu.com.br

Blumenau – SC
Folhablu notícias e publicidade digital - Todos os direitos reservados
Proibida a reprodução total ou parcial