Folhablu | Tese da fé (des)humana


Tese da fé (des)humana

Publicado em: 2009-09-11 19:51:53

Fato 1: Nós morremos.

Fato 2: A vida é cansativa, dura, e lutada, e só então, nós morremos.

Fato 3: Acredito que 80% da população vive na espera da, até então incontestável, pós-vida.

Fato 4: Desses 80%, ainda por minha visão, 1,1% já supôs que talvez, esse mundo paralelo cheio de arco-íris e fadas, não exista.

Embora esse 1,1% não tenha pensado a respeito por mais de um minuto.

Tudo a troco de quê?

Enfim, a teoria básica da minha tese sobre a fé humana é que os seres humanos precisam de uma imagem – enganosa ou não – em quem terem fé. Todos os seres racionais – nem sempre pensantes – têm pavor de não terem em quem depositar sua confiança, além de uma profunda angústia de levarem a culpa pelos objetivos não concluídos. Embora, eles mesmos não tenham a menor fé em si mesmos. O pensamento de um ser maior, potente, imortal e incontestável, oferece garantia, a confiança de que qualquer erro, então, é um acerto.

Será que a sociedade realmente evoluiu, ou será que a única mudança desde a idade das trevas foi a implantação do capitalismo? A Igreja, mesmo com o aumento de hereges, continua sendo a – não mais única – incontestável fonte da verdade e merecedora de confiança.

Após um longo e cansativo dia, em meio a um turbilhão de pensamentos que invade minha cabeça periodicamente, me peguei pensando a respeito disso. Qual o significado da existência? As coisas não podem ser tão simples, nem tão banais. São três teorias básicas que todos os mortais já ouviram pelo menos uma vez na vida:

Primeira teoria: nós nascemos, nos reproduzimos e morremos. Um ciclo cansativo e sem nexo. Conservamos uma espécie para que daqui a poucos anos ela conserve a dela, e assim repetidamente até que algo aconteça. Infelizmente, o algo nunca aconteceu, então, não fazemos a menor ideia se o ciclo algum dia parará. O que nos leva à segunda teoria: a vida eterna. Que nos faz fantasiar a famosa cena do senhor de barba branca sentado dentro de uma guarita solidificada nas nuvens, controlando a abertura de um portão cor de bronze que nos levará ou à atmosfera branca e pura que se imagina ser o céu, ou ao mundo temidamente vermelho e quente, o inferno. De qualquer forma, ainda existe uma terceira, e mais aclamada: a ressurreição. Mas como já foi dito, não pode ser tão simples. Quando uma pessoa se cansa da vida, ela simplesmente dá um restart e começa do zero?

A maioria das pessoas (vulgo eu) vive um incrível dilema entre o "viva como se fosse morrer amanhã", e o termo "reencarnação". Se há uma reencarnação, por que diabos viver como se a vida fosse única? Aproveitemos então os detalhes que a vida nos dá direito, degustemos-la, sem pressa, sem pressão. Sem impulsividade.

"O que importa afinal, viver ou saber que se está vivendo?" - Clarice Lispector.

Ao som de: Fake Plastic Tree - Radiohead

Nota 1: o texto foge totalmente do meu normal, e eu gostei de escrever algo "novo". Mas odiei parecer meu professor de filosofia.

Nota 2: o texto apenas se refere a uma opinião pessoal.

Por Anna C.

Estudante, 15 anos

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