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O futebol mandou avisar

Publicado em: 2014-06-30 08:33:08

A cada dia passado, a percepção futebolística do torcedor canarinho se torna menos compreensível. A torcida verde e amarela, que hoje ovaciona uma seleção como a da Holanda, classificada e dominada pelos mexicanos até os 30 minutos do segundo tempo, e que venceu graças à covardia latino-americana e seu impenetrável medo da vitória, e a uma ótima atuação de Robben, tanto com a bola nos pés, quanto garantindo vaga nas teledramaturgias mexicanas com o pênalti sofrido nos minutos finais (não contavam com a sua astúcia), é a mesma torcida que, a altos brados, decretou o fim da seleção brasileira com o empate, ainda na fase de grupos, contra o mesmo México metido a estraga-festas, embora mais fechado e contido à época.

 

Quem aclama esta, e censura o angustiante desempenho da seleção da casa contra a muito organizada e eficiente equipe de Jorge Sampaoli, que levou corações atacados do desesperado ao delírio com uma atuação atrapalhada e pouco incisiva no segundo tempo, esquece-se das performances instáveis da seleção pentacampeã mundial em 2002, com vitórias sufocantes contra Bélgica, Inglaterra e Turquia, da pouco convincente seleção campeã Azzurra na Copa de 2006 contra as sem tradição seleções dos Estados Unidos, Gana e República Tcheca, e a sofrida classificação para as quartas-de-final, contra uma Austrália desequilibrada pela arbitragem, e, mais ainda, da melancólica campanha do tic-tac espanhol no título de 2010.

 

Esquece-se este, também, de Leandro, Júnior, Toninho Cerezo, Falcão, Zico, Sócrates, Éder e do maestro Telê Santana, à frente da seleção brasileira que encheu os olhos e corações dos amantes da pelada com um futebol ofensivo e vistoso, tão vistoso aos olhos desses quanto os quadros de Michelangelo, conterrâneo da terra que derrotou e eliminou a seleção imbatível.

 

Entre super e subestimações, o brasileiro busca de carrascos a zebras para explicar sua condição inferior e alardear o que tem de pior: seu complexo de vira-lata. Na música, na política, na economia, no futebol, nas histórias de ninar, o Brasil é o país que busca o que outros têm de melhor, para poder emergir o que tem de pior em si. A comparação e constatação de inferioridade é o que acalma o âmago do tupiniquim. É o que explica o fenômeno de torcedores brasileiros aos montes em fervorosas torcidas por seleções estimadas, como Alemanha, Holanda, Espanha, Itália e até Argentina. Mais do que o desejo de ver o bonito e bem jogado futebol, anseio também de todos os aficionados pela bola, o torcedor brasileiro que torce por outra nação espera a hora de poder comprovar o que já sabia: a sua não era boa o suficiente.

 

Porém, para alegria das festas, dos churrascos de domingo, da roda de bar, dos almoços em família, do samba, do funk e do rock, o futebol não é feito apenas de futebol. A mágica da bola é tanto suas constantes, quanto suas variáveis. O time que joga bem, às vezes perde para o que tem sorte. O que tem medo, pro que tem coragem. A bola chutada com maestria é amuada pelo vento preciso que desvia sua trajetória. O drible desconcertante para no zagueiro, pouco encantador. A vitória que escapa dos pés talentosos pode parar na mão do goleiro robusto. E nesse sábado, dia 28 de junho, parou. Logo depois desse jogo de fibras, o futebol mandou avisar: vai continuar sendo impiedoso e injusto. A sorte que conduz desastrosos Brasis, Holandas, Itálias, Espanhas, Argentinas, Alemanhas, e por que não Colômbias, Costas Ricas, Chiles e Méxicos à vitória, continuará. E a pelada continuará sendo imprevisível. “Essa é a minha mágica”, disse o futebol, e disse mais: só quem torce de verdade, entende. Depois, foi embora. Tinha outros carrascos e heróis a fazer.

 

Por Anna C.

 


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