Folhablu | (In)Diretas Já, aos novos caras pintadas


(In)Diretas Já, aos novos caras pintadas

Publicado em: 2009-09-22 08:01:12

Sim, acredite, nós somos os filhos dos Caras Pintadas. É interessante começar assim. Foi o que mais me chamou atenção quando me dei conta disso. Fiquei, pelo menos, 45 minutos refletindo sobre, e no final, só o que conseguia perceber em mim era vergonha. Nós, quem somos? Somos a juventude clichê.

E realmente somos. Nossos avós matavam e morriam por suas causas, pelo que acreditavam. Morriam pela crença dos outros. Meus avós viviam com propósitos. E nós? Nós apenas pensamos em nós mesmos, permanecemos acomodados até que o problema se volte para nós, e aí, só aí, nós pensamos em mudanças. Temos hábitos irregulares, nos achamos o centro da razão e esperamos que o mundo se ajuste com a atitude de outra pessoa. Nossos Caras Pintadas são jovens que mais se importam com sua vaidade fútil, do que com o mundo à sua volta. O mundo que nós mesmos habitamos, usamos, degradamos, estragamos e precisamos. Esse é o futuro que nós construímos, e só o que sabemos fazer, é reivindicar nossos direitos quebrados, acomodados em nossas poltronas fofas e confortáveis, alienados em futilidades. Esquecemos que reivindicar é mais do que falar da boca pra fora. Infelizmente, as coisas sempre acabam em, mas não são só, política.

Somos da era onde jovens nunca leram nada além de seus recados no celular, pensam na literatura como interesse de pessoas estranhas, chocam-se ao verem alguém escutar bandas ícones e, sim, antigas, de boa e velha música. Somos da era onde o jovem não se compromete com absolutamente nada que não lhe interesse. Nem com o que lhe interessa, se isso exigir muito esforço. Vivemos da moda, da imagem falseada baseada na opinião alheia - tudo bem, herança de gerações passadas -, voltamos a escrever como índios e achamos incrível agirmos como analfabetos, em vez de apoiarmos a cultura geral.

Seria esse um reflexo da desmotivação, lenta, mas crescente da geração passada? Da falta de crença em nós mesmos? A falta de motivação? Continuo com o pensamento de que nós necessitamos de algo em que acreditarmos, sendo que não acreditamos no próprio poder. Nós preferimos pensar na desculpa a pensar na solução.

Isso soou estranhamente quase mais clichê do que essa juventude, ainda mais criticada do ponto de vista de quem faz parte dessa mesma realidade. Mas, para quem lê, tome isso como um apelo e desabafo silencioso. Espero que isso sim, seja apenas uma marolinha. Afinal, querendo ou não (e eu não quero!), isso é o futuro desse país.

Ao som de: Eu Não Matei Joana D'arc - Camisa de Vênus

Por Anna C.

Estudante, 15 anos

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