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Finados e vida eterna

Publicado em: 2017-10-31 16:44:03

A morte não interrompe a vida, portanto o aprendizado não tem fim. Na Terra ou no céu da Terra, prosseguimos trilhando o caminho da eternidade.

 

Quando meus pais faleceram, muito padeceu o meu coração. Contudo, prontamente comecei a entoar comovido colóquio com o Criador, amenizando a saudade e lhes transmitindo mensagens de paz e de gratidão. Logo senti que continuam vivos, porque os mortos não morrem. E, quando se ora, a alma respira, fertilizando a existência humana. Fazer prece é essencial para desanuviar o horizonte do coração. Alziro Zarur (1914-1979), proclamador da religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, ensinava que “Deus não nos criou para nos matar” e que “não há morte em nenhum ponto do universo”, assunto de que, em outras ocasiões, voltaremos a falar. Minha solidariedade, pois, aos que sofrem a aparente ausência de seus entes queridos. Mas tenham certeza de que realmente os mortos não morrem. Um dia, todos haveremos de nos reencontrar.

 

A morte não existe e a dor é uma ilusão do nosso sentimento

 

Alentadoras palavras deixadas a nós pelo poeta português Teixeira de Pascoaes (1877-1952), coincidentemente nascido num Dia de Finados. Que Deus o tenha em bom lugar.

 

Dia de Finados

 

O ensejo recorda-me o pronunciamento do papa João Paulo II (1920-2005), em 2 de novembro de 1983, ao se dirigir aos fiéis reunidos no Vaticano. Nele, sua santidade enfatiza que o diálogo com os mortos não deve ser interrompido: “Somos convidados a retomar com os mortos, no íntimo do coração, aquele diálogo que a morte não deve interromper. (...) Baseados na palavra reveladora de Cristo, o Redentor, estamos certos da imortalidade da alma. Na realidade, a vida não se encerra no horizonte deste mundo (...)”.

 

Daí a precisão de refletirmos sobre esse ponto. É compreensível que sintamos saudade dos que partiram, mas não nos devemos exceder em lágrimas, porque a nossa aceitável dor pode perturbar-lhes, no plano espiritual, a adaptação à nova conjuntura.

 

Lições do fenômeno inafastável

 

Dia virá em que alguns pensadores não mais prescindirão dessa realidade confortadora. Deveriam, sobretudo, elucubrar a respeito da morte e não procurar explicações unicamente materiais para um fenômeno irremovível que envolve o espírito. Quando desperta no “outro mundo”, a surpresa para muita gente é grande.

 

No cotidiano, persistem aqueles que possam sorrir dessas modestas ilações. No entanto, os imprescindíveis cultores do intelecto não se podem designar donos de uma certeza inamovível. Não se apraz com a boa índole de seu labor. De outra maneira, seu pensamento deixaria de ser ciência, visto que a incessante investigação provoca justamente o crescimento da cultura.

 

Há décadas, o sempre lembrado Zarur concluiu que “Deus criou o ser humano de tal forma que ele só pode ser feliz praticando o bem”. Assim, é preciso existir amor desde o coração do homem douto até o do ser mais simples, de modo a derribar a mentalidade esterilizadora do ódio, que vive a castrar o avanço menos delituoso da civilização.

 

Espiritualização ecumênica

 

A morte não interrompe a vida, portanto o aprendizado não tem fim. Na Terra ou no céu da Terra, prosseguimos trilhando o caminho da eternidade.

 

Em meu livro As Profecias sem Mistério (Editora Elevação, 1998), no capítulo “Progresso sem destruição”, afirmo que nenhum país progride sem boas escolas, posto que, entre outros benefícios, elas promovem a produtividade. E, no milênio terceiro, a espiritualização ecumênica das massas tornar-se-á fator inarredável. Desce das alturas a certidão de óbito da era macabra da intolerância religiosa ou acadêmica, tanta vez semeada no altar ou na banca de estudo.

 

Que a paz de Deus esteja agora e sempre com todos. E vamos em frente, trabalhando, realizando e atuando com decisão, coragem, solidariedade, generosidade, porque Deus está presente.

 

Por José de Paiva Netto

Jornalista, radialista e escritor

paivanetto@lbv.org.br

 


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