Folhablu | Custo de cuidados com trabalhadores é a segunda maior despesa de empresas brasileiras, revela pesquisa


Custo de cuidados com trabalhadores é a segunda maior despesa de empresas brasileiras, revela pesquisa

Publicado em: 2018-09-10 07:38:53

 

Os custos de cuidados com a saúde dos trabalhadores, na utilização de planos de saúde, se tornaram a segunda maior despesa das empresas, superado apenas pelos custos da folha de pagamento. É o que revela um balanço feito pela consultoria de benefícios e capital humano AON. De acordo com o levantamento, para 36% das empresas analisadas, a assistência médica pode representar de 5% a 10% da folha de pagamento.

 

A companhia considera que, um dos fatores que levam a esse quadro é o constante aumento dos preços de serviços de saúde. Para a diretora técnica de Saúde e Benefícios da Aon Brasil, Rafaella Matioli, a inflação médica também pesa nos custos com saúde. “Nos últimos cinco anos, essa inflação registrou um acumulado de 108%, contra 42% da inflação geral”, completa.

 

O balanço da consultoria considera que essa taxa na inflação médica é empurrada, principalmente, pelas novas tecnologias, que acabam ficando caras. Outros fatores apontados pela AON são o “alto” índice de judicialização na saúde e os desperdícios na utilização dos planos.

 

Ainda segundo Matioli, em 2016, o gasto médio por usuário chegou a cerca de R$ 3.600, ante R$ 2.890, em 2014. “Desta diferença, 324 reais correspondem apenas ao aumento de frequência, o que representa quase 10% de impacto neste custo crescente”, ressalta a diretora.

 

Apesar desse cenário, 99,8% das empresas pesquisadas oferecem planos de saúde aos colaboradores, ainda segundo a AON. A mesma quantidade também aceita os cônjuges e estendem o benefício aos filhos.

 

Em relação a esse tipo de plano de saúde, há um destaque para o setor industrial. Estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que o setor responde, parcial ou integralmente, pelo financiamento de quase 22% dos planos de saúde privados em todo o país (10,2 milhões de beneficiários).

 

Informações do balanço apontam também que os preços dos planos de saúde têm aumentado desordenadamente nos últimos anos e isso tem comprometido a qualidade dos serviços oferecidos aos funcionários.

 

Para o gerente executivo de Saúde e Segurança na Indústria da CNI, Emmanuel Lacerda, é preciso melhorar a gestão para garantir a continuidade e a qualidade desse benefício aos trabalhadores do setor. “Isso tem a ver com a mudança do sistema de remuneração de financiamento do sistema da saúde suplementar”, avalia.

 

“Assim, existe um sistema que incentiva o volume, a utilização e, não necessariamente, acompanhado de eficiência, de resultado”, completa Lacerda.

 

Ainda segundo a CNI, o formato atual resulta em incentivos inadequados no âmbito da cadeia de saúde e concorre para a existência de fraudes e desperdícios no âmbito do sistema.

 

Da Agência do Rádio

 

 


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