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Onu alerta para aumento da violência no Congo

Publicado em: 2018-02-07 05:00:58

A Agência da Onu para Refugiados (Acnur) disse na segunda-feira, dia 5, estar preocupada com o recente aumento de violência no leste da República Democrática do Congo (RDC), que tem forçado um grande número de congoleses a se deslocar para o leste, em direção a países como Burundi, Tanzânia e Uganda.

 

A situação no Congo piorou em virtude do recrudescimento dos conflitos locais. No início de 2018, existiam cerca de 5 milhões de congoleses deslocados: aproximadamente 674.879 refugiados em outros países africanos e cerca de 4,35 milhões de deslocados internos.

 

Milhares de crianças, mulheres e homens abandonaram suas casas devido ao aumento de operações militares contra os grupos armados Mai Mai na província de Kivu do Sul. Desde a semana passada, quase 7 mil pessoas cruzaram a fronteira com o Burundi e outras 1,2 mil foram para a Tanzânia. Acredita-se que existam muito mais civis deslocados no Kivu do Sul que estariam vivendo em condições precárias pela falta de abrigo e comida.

 

A Acnur entrevistou refugiados que afirmam ter sido obrigados a deixar suas casas por conta do recrutamento forçado, atos de violência e abusos cometidos por grupos armados. Outros dizem ter saído da região por medo e para evitar que se envolvessem em futuras operações militares. É indispensável garantir a essas pessoas que são forçadas a deixar suas casas por causa de violência um percurso seguro, bem como o acesso humanitário para ajudar os deslocados, segundo a agência da Onu.

 

A maioria dos refugiados congoleses que chega ao Burundi cruza o Lago Tanganica em pequenos barcos pesqueiros. As condições de recepção nas zonas costeiras de Nyanza-Lac e Rumonge são precárias, com acesso extremamente limitado a abrigos, infraestruturas de saneamento básico, água potável e comida. Em colaboração com as autoridades e seus parceiros, a Acnur está transferindo os refugiados para centros de trânsito e acampamentos - já lotados - no norte e leste de Burundi.

 

Os congoleses não são o único grupo afetado pelo aumento dos atos de violência. A Acnur também está preocupada com a situação de mais de 43 mil refugiados burundeses que estão no Kivu do Sul, principalmente em Lusenda e Mulongwe. Ainda que os dois locais não tenham sido afetados diretamente pelos enfrentamentos, a Acnur pede que as partes em conflito respeitem o caráter humanitário das áreas onde estão os refugiados e se abstenham de qualquer atividade que possa dificultar a distribuição de assistência humanitária.

 

Os congoleses que chegam à Tanzânia também seguem pelo Lago Tanganica, cruzando diretamente o Kivu do Sul até a cidade de Kigoma e seus arredores. Muitos chegam exaustos e doentes. A vinda de refugiados está exercendo uma enorme pressão sobre as infraestruturas de acolhida, água e saneamento, e muitos não têm outra opção a não ser dormir ao ar livre. A Acnur está mobilizando assistência humanitária - incluindo comida, água e assistência médica - para as zonas de acolhida dos refugiados. A agência da Onu também está se preparando para transferir os recém-chegados para o campo de Nyarugusu, no noroeste do país.

 

Em Uganda, o número de chegada de congoleses também aumentou por conta dos conflitos no norte do Congo: tanto a violência entre as comunidades na província de Ituri, como a atividade de grupos armados e as ofensivas no Kivu do Norte são responsáveis pelos deslocamentos. Desde dezembro, mais de 15 mil pessoas entraram em Uganda a pé ou cruzando o Lago Alberto em barcos de pesca ou canoas. O número de chegadas em janeiro - uma média de 330 pessoas ao dia - quadruplicou os números de dezembro. A Acnur está apoiando os esforços das autoridades para acolher os recém-chegados e transferi-los para dois acampamentos: Kyangwali, cerca de 50 quilômetros ao leste do Lago Alberto, e Kyaka II, no sudoeste do país.

 

A Acnur reconhece o esforço dos países vizinhos por acolher os refugiados da República Democrática do Congo e, tendo em conta as urgentes necessidades, solicita aos governos desses países que mantenham suas fronteiras abertas para aqueles que são forçados a deixar suas casas por causa do conflito.

 

A situação na República Democrática do Congo é uma das mais complexas do mundo e piorou em virtude do aumento de vários conflitos locais. No início de 2018, existiam cerca de 5 milhões de congoleses deslocados: aproximadamente 674.879 refugiados em outros países africanos e cerca de 4,35 milhões de deslocados internos. Esses números colocam a RDC entre os países com as maiores crises de deslocamento do mundo.

 

 


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