Folhablu | Polêmica sobre evento na escola Elza Pacheco cai nas mãos do estado


Polêmica sobre evento na escola Elza Pacheco cai nas mãos do estado

Publicado em: 2017-11-02 21:41:40

Pronto. Se ainda faltava acontecer algo em relação ao Festival de Cinema e ao Ciclo de Palestras programado para acontecer em novembro na EEM Elza Pacheco, em Blumenau, já não falta mais. Depois da intromissão ultraconservadora da Câmara de Vereadores, que aprovou moção de repúdio contra o evento, agora o estado, através da Secretaria da Educação e da Agência de Desenvolvimento Regional, promete tomar uma decisão sobre sua realização.

 

A polêmica teve início quando vereadores blumenauenses resolveram se pronunciar contra a realização do Festival de Cinema e do Ciclo de Palestras da escola Elza Pacheco, que prometia discutir a diversidade. Junte-se a um determinado número de conservadores as palavras "diversidade" e "gênero" e pronto, tem-se uma discussão acalorada. Com o voto contrário de apenas três vereadores, o Legislativo blumenauense aprovou uma moção de repúdio contra o evento da escola. A favor da Elza Pacheco, Furb e Sinte vieram a público defender o festival, posição criticada por inúmeros "defensores da família".

 

Corajosamente, a diretora do educandário, Tânia Elaine Wuaden, prometeu não dar um passo atrás sequer e confirmou a realização do evento. Em entrevista ao jornal Diário Catarinense, Tânia afirmou que o tema "diversidade" já é discutido na escola desde o início do ano. "A gente não está fugindo do tema que está previsto na proposta curricular do estado, ela incentiva que isso (discussão sobre diversidade) faça parte do ambiente escolar. A pessoa que abriu a discussão não conhece uma escola de ensino médio", teria afirmado a diretora, segundo o jornal.

 

Como miséria pouca é bobagem, a posição final sobre a polêmica caiu sob as mãos pesadas do estado. A Agência de Desenvolvimento Regional de Blumenau anunciou que ouvirá todas as partes e tomará uma decisão sobre o tema.

 

Diante da maior onda de conservadorismo desde a redemocratização do país, tanto Câmara quanto estado parecem conhecer melhor que ninguém o que é bom ou não para o cidadão. Engraçado, pois a mesma Câmara que prega os valores da família não se pronuncia contra a onda de feminicídio que vem ocorrendo na região. Tão pouco o estado, que sabe como ninguém o que é melhor para seus alunos, reconhece suas faltas quando submete duas escolas - coincidentemente a mesma Elza Pacheco e a Victor Hering - a dividirem o mesmo espaço em uma clara demonstração de desrespeito àquele que jura proteger: o aluno.

 

Grande parte do eleitorado brasileiro continua votando errado porque, ao que parece, não busca alguém que o represente, mas sim quem assuma suas responsabilidades. Alguém que estabeleça em seu nome o que é certo e o que é errado. O melhor censor que o brasileiro pode ter é ele mesmo. Não gosta de um determinado programa de TV? Mude o canal. Não concorda com o tema de uma exposição? Não vá. Acha que o assunto de uma determinada palestra é ofensivo? Não participe. Cada um tem o direito de decidir o que quer para si. E só para si. Nunca pelo outro.

 

E, ironicamente, a palavra que causa ojeriza à maioria na Câmara e que gerou toda a polêmica nem mesmo é o tema central da discussão a que o evento da escola Elza Pacheco se propõe. Discute-se diversidade porque busca-se o que mais falta hoje ao brasileiro: tolerância.

 

Por Fábio Souza

 


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