Folhablu | Brasil e EUA dividem supremacia olímpica no vôlei sob o olhar do fantasma vermelho


Brasil e EUA dividem supremacia olímpica no vôlei sob o olhar do fantasma vermelho

Publicado em: 2018-04-17 17:32:24

O vôlei brasileiro viveu uma das maiores transformações da história do esporte. Um crescimento vertiginoso levou o país, em pouco mais de três décadas, da posição de mero coadjuvante a favorito de toda e qualquer competição que dispute. Além de uma geração extremamente talentosa, outros dois nomes, estes fora da quadra, foram grandes responsáveis pelo boom da modalidade no país. Um deles foi o narrador esportivo Luciano do Valle, já falecido, que abriu as portas da televisão para o vôlei, depois que saiu da Rede Globo com destino à TV Record. O outro foi Carlos Arthur Nuzman, hoje enrolado com a Justiça até o gogó, no início dos anos 80 era o presidente da Confederação Brasileira de Vôlei e foi responsável por implantar uma mentalidade empresarial na entidade.

 

O início da virada do vôlei no Brasil aconteceu em 1982. Em apenas dois anos, a seleção brasileira saiu da condição de mera participante sem brilho das competições internacionais a uma das favoritas à medalha de ouro nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984. Entre as duas datas, o título do Mundialito, primeira transmissão do esporte na TV nacional em 1982, e o vice-campeonato mundial do mesmo ano na Argentina avalizavam o favoritismo brasileiro.

 

O ouro não veio para um grupo que ficou conhecido - de certa forma injustamente - como a "geração de prata", numa alusão à medalha conquistada naquele ano, a primeira do país no esporte. Aquela Olimpíada marcou o vôlei de outra forma. Nas cinco primeiras edições do Torneio Olímpico, de 1964 a 1980, apenas países da Ásia e da Europa Oriental - os chamados países da Cortina de Ferro - haviam vencido a competição. Com 3 medalhas de ouro, a União Soviética foi a grande campeã daquele período.

 

Em 1984, os soviéticos devolveram o boicote feito pelos americanos em Moscou e não foram a Los Angeles. Azar dos socialistas, que viram de casa uma seleção norte-americana sapecar inapeláveis 3 sets a 0 sobre o Brasil na final. A partir daquele ano, o Torneio Olímpico de Vôlei Masculino só voltou a ser vencido por uma seleção daqueles cantos do mundo outras duas vezes, mas já sem o peso da foice e do martelo socialistas. A Iugoslávia venceu em 2000 e a Rússia em 2012. Neste intervalo, Brasil e Estados Unidos já faturaram o ouro olímpico 3 vezes e são hoje os maiores campeões do torneio ao lado da já extinta União Soviética.

 

Em 2020, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, a seleção brasileira, além de defender o título conquistado em 2016, poderá se tornar a maior vencedora do vôlei masculino olímpico. Os norte-americanos, sempre fortes, são um obstáculo, sem dúvida. Mas talvez o grande rival histórico sejam os russos. Afinal, a Rússia foi coração e cérebro da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas enquanto ela existiu. Tivesse herdado as três conquistas soviéticas, hoje a Rússia seria a maior campeã olímpica do vôlei masculino, com quatro conquistas.

 

A última participação olímpica da União Soviética foi em 1988, em Seul. Foram seis participações entre 1964 e 1988. E três medalhas de ouro! Em todas as seis os soviéticos subiram ao pódio, conquistando duas pratas e um bronze. Em 1992, já desmantelada, a URSS disputou os Jogos de Barcelona como Comunidade dos Estados Independentes (Cei). Já como Rússia, desde 1996 o país ficou fora do pódio olímpico do vôlei apenas em 2012.

 

O Brasil, depois da prata em Los Angeles, perdeu a medalha de bronze para a Argentina em Seul, em 1988. Quatro anos depois, em Barcelona, a seleção brasileira finalmente conquistou seu primeiro ouro. Nas duas Olimpíadas seguintes, o país voltou a se ausentar do pódio, nos Jogos de Atlanta e Sydney. Em 2004, o berço olímpico Atenas viu o vôlei brasileiro ressurgir no lugar mais alto do pódio com seu segundo ouro olímpico. Em 2008 e em 2012, a seleção brasileira continuou frequentando o pódio, com duas medalhas de prata. Na quarta final consecutiva, em 2016, no Rio de Janeiro, o Brasil conquistou seu terceiro título olímpico.

 

Em Tóquio, daqui a dois anos, o mundo poderá finalmente ver uma seleção sagrar-se tetracampeã olímpica. Se isso ocorrer, ela terá o verde e o amarelo brasileiro ou o azul e o vermelho dos americanos entre suas cores. Isso se os russos, herdeiros do império vermelho soviético, não reaparecerem para estragar a festa.

 

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Por Fábio Souza

 

 


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