Folhablu | Zinho 'Enceradeira', vencedor como atleta


Zinho 'Enceradeira', vencedor como atleta

Publicado em: 2017-03-26 07:50:54

 

 

 

 

 

 

Narradores de futebol do passado usavam frequentemente a expressão "corrupio" quando o atleta fazia o giro em torno da bola sem progressão. Como o chamado falso ponteiro-esquerdo Zinho repetia à exaustão essa jogada, ganhou o apelido de Zinho Enceradeira, um eletrodoméstico em desuso composto por disco giratório, hoje comercializado em pequena escala, e que serve para lustrar o piso de edificações.

 

Na prática, havia reconhecimento que Zinho tinha habilidade para esconder a bola do adversário, enquanto procurava a melhor alternativa de passe.

 

Sentido pejorativo à parte, o certo é que Zinho foi um vitorioso no futebol, com início da trajetória no Flamengo, em 1986. Pelo estilo de jogador tático, que se recompunha para ajudar na marcação no meio de campo, ganhou espaço em outros grandes cubes. Teve passagem vitoriosa no biênio 1993-94 no Palmeiras, quando conquistou o bicampeonato brasileiro, num time que tinha entre outros Roberto Carlos, César Sampaio, Rivaldo, Edmundo, Edílson e Evair.

 

No Palmeiras foram 333 jogos e uma boa fase que resultou em 56 gols. Logo, não só foi convocado à Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, como foi titular absoluto com a camisa nove. É que na época o centroavante Romário não abria mão de usar a camisa onze. E no selecionado Zinho teve histórico de 57 partidas e sonhava ampliar a marca ao cobrar convocação ao Mundial de 2002 no Japão e Coreia do Sul, após o corte do volante Emerson, por contusão.

 

Como o sonho não se concretizou, a preocupação, então, foi cobrar na Justiça dívida de R$ 7,4 milhões do Grêmio, clube que havia defendido, além de Cruzeiro e Yokahama Flugels, do Japão. Entre um e outro clube, registro para nova passagem por Palmeiras e Flamengo.

 

Em 2005 foi parar no modesto Nova Iguaçu, do Rio de Janeiro, com propósito de encerrar a carreira. Aí os planos foram modificados quando surgiu oportunidade para atuar no Miami, dos Estados Unidos. Lá ficou por duas temporadas, quando teve chance de iniciar a carreira de treinador.

 

Zinho, registrado com o nome de Crizam César Oliveira Filho, vai completar 50 anos em junho, e pode viver tranquilamente com rendimentos provenientes de bons contratos ao longo da carreira, mas como tem o futebol no sangue, continua atuando como auxiliar-técnico e gerente. Por ora está desempregado.

 

Por Ariovaldo Izac

ariovaldo-izac@ig.com.br

 


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