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Fogos: a relação com o futebol

Publicado em: 2016-01-21 10:24:41

Estampidos provocados por rojões podem ser o comunicado de que entorpecentes chegaram a determinada localidade. Outrora poderia ser aviso de que algum time de futebol marcou gol. Por questão de segurança, desde meados da década de 70 proibiram acesso de torcedores nos estádios com fogos de artifício. Eles se transformaram em armas nos confrontos de torcidas rivais.

 

Na década de 40, quando se constatava comportamento civilizado de torcedores, em vez de alambrados bastava cerca de madeira de 1 metro de altura. Até os anos 50, nem era preciso revistar torcedores nos portões de entrada dos estádios. Nos anos 80, foi necessário um pacote de medidas para garantir segurança dos torcedores durante os jogos. Impediram acesso de bandeira com mastro inferior a 4 metros de altura, instrumento de percussão, guarda-chuva de ponta e até radinho de pilha, uma das medidas posteriormente revogadas.

 

Quando os torcedores faziam festa nos estádios soltando rojões, pessoas nas imediações acompanhavam a contagem dos gols pelo barulho dos fogos. Se ensurdecedor, a comemoração era do time da casa. Se discreto, a alegria era do clube visitante.

 

Que foguetório! Aquela fumaceira deixava tudo embaçado. Pena que alguns gaiatos mal sabiam manusear rojões e sofriam queimaduras. Estouros para baixo assustavam torcedores ao redor, que precisavam correr. Algumas vítimas sofriam mutilações nos dedos, danos nos olhos e até surdez.

 

Bons tempos em que os jogadores só subiam aos gramados minutos antes das partidas, plenamente aquecidos nos vestiários. Depois, preparadores físicos importaram da Europa a metodologia de aquecê-los nos gramados antes de se uniformizarem. Aí ficou sem graça a posterior saudação aos torcedores.

 

Outrora, editores de jornais não priorizavam imagens em movimento. Publicavam foto posada do time da casa, restrita aos 11 jogadores e massagista, posicionado à esquerda entre os agachados. E agachava-se literalmente, com a parte posterior da coxa encostada na panturrilha. Hoje, nem se pode dizer que a turma da frente fica agachada, já que sequer dobra o joelho.

 

Se nos estádios a rigorosa fiscalização sobre fogos inibe torcedores, fora deles os abusos continuam. Ainda é lembrado o cruel confronto entre vascaínos e corintianos em 2007, na capital paulista, resultando na morte de Clayton Ferreira de Souza, de 27 anos de idade. E sabem quais as armas dos briguentos? Barra de ferro, faca e rojão.

 

Tal como aqui, na Alemanha torcedores usam rojões como arma nos conflitos fora dos estádios, mesmo com punições severas aplicadas aos desordeiros. Na Áustria, na década passada, o goleiro Georg Koch, do Rapid, perdeu parte da audição após ser atingido no ouvido por fogos de artifício. Na Argentina, baterias de fogos provocam barulho ensurdecedor em jogos importantes.

 

Por Ariovaldo Izac

ariovaldo-izac@ig.com.br

 


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