Folhablu | Dalmo ficou com a fama e Geraldino esquecido


Dalmo ficou com a fama e Geraldino esquecido

Publicado em: 2014-12-12 16:41:53

Deu no finado jornal impresso A Gazeta Esportiva no dia 15 de novembro de 1963: "Sem Calvet, sem Zito, sem Pelé, Santos ganhou de 4 e deu olé". A linha fina complementou a manchete com a citação: "gols de Pepe, Lima e Almir liquidaram o Milan".

 

É que na noite anterior o Santos havia devolvido ao Milan o placar adverso de 4 a 2 da Itália, da primeira partida da final do Mundial Interclubes. Este segundo jogo foi disputado no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, diante de 132.728 pagantes. Com igualdade na pontuação e saldo de gols entre clubes, foi necessária uma terceira partida dois dias depois, no mesmo local, ocasião em que o Santos venceu por 1 a 0, gol de pênalti assinalado pelo lateral-esquerdo Dalmo, que originou o bicampeonato mundial.

 

Curioso é que por 50 anos o lateral-esquerdo Geraldino, do Santos, conviveu silenciosamente com a injustiça do nome excluído entre os desfaques nas partidas disputadas no Brasil. Por isso reivindicou reconhecimento em entrevista ao jornal Folha de São Paulo de novembro de 2013, durante a comemoração do cinquentenário do bicampeonato mundial de clubes: “Todo mundo diz que o Santos teve três desfalques naquela decisão - Zito, Calvet e Pelé -, mas se esqueceram do Geraldino. Joguei a primeira partida na Itália, quando perdemos para o Milan. Só não joguei no Rio por causa de uma lesão no joelho.”

 

De fato, na primeira partida daquela final o quinteto defensivo santista era composto por Gilmar; Lima, Haroldo, Calvet e Geraldino. E esta formação já havia sido registrada na reta de chegada da Libertadores da América daquela temporada: empate por 1 a 1 e goleada por 4 a 0 sobre o Botafogo na semifinal, e vitórias diante do Boca Juniors na final: 3 a 2 no Brasil e 2 a 1 na Argentina.

 

Geraldino em questão não é diminutivo de Geraldo. É nome mesmo: Geraldino Antônio Martins, nascido em 11 de janeiro de 1940, em Raposos (MG). Quando adolescente, Geraldino foi seminarista. Por isso, quase o futebol perde um lateral-esquerdo que desarmava sem recorrer às faltas e veloz para levar a bola ao ataque. É que foi seminarista e ganhou o apelido de padre. E antes de se profissionalizar no Villa Nova, de Nova Lima, foi alfaite.

 

A notoriedade no futebol implicou na transferência ao Cruzeiro em 1960 e três anos depois foi eleito o melhor lateral-esquerdo do Brasil. Por isso acabou contratado pelo Santos na maior transação até então feita por clubes mineiros. Vasco e Botafogo também estavam no páreo para contratá-lo e surpreendentemente ele manifestou interesse de continuar em Belo Horizonte, justificando família adaptada por lá.

 

A transferência foi compensada com títulos paulistas do Peixe em 1964, 65 e 67. Em 1966 ele perdeu o posto de titular para Rildo, contratado ao Botafogo. E três anos depois se transferiu à Portuguesa, onde ficou por duas temporadas.

 

Por Ariovaldo Izac

 


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