Folhablu | Adeus ao volante, líder e fazendeiro Zito


Adeus ao volante, líder e fazendeiro Zito

Publicado em: 2015-06-16 08:52:04

Em março de 2002, no terceiro ano consecutivo da coluna, o homenageado foi José Eli de Miranda, o Zito, volante bicampeão mundial pela seleção e mundial de clubes. Neste 14 de junho, aos 82 anos de idade, Zito morreu em Santos em decorrência de um ACV - acidente vascular cerebral.

 

Há 15 anos Zito foi citado como o pecuarista que calçava botas sete léguas de vez em quando para acompanhar o gado no pasto, antes de o dia clarear, em sua fazenda de 50 alqueires em Pindamonhangaba (SP). E quando enjoava do cheiro de mato voltava à residência em Santos e aproveitava a ociosidade para jogar conversa fora no Posto do Lalá, ex-goleiro santista, reduto de boleiros do Peixe das décadas de 50 e 60.

 

Naquela roda, Zito comunicava aos desavisados que o seu estilo raçudo, de boa marcação e projeção com bola ao ataque havia sido determinante para ganhar a posição de Dino Sani na terceira rodada da Copa do Mundo de 1958, na Suécia, na histórica vitória por 2 a 0 sobre a então União Soviética.

 

Naquele jogo, o treinador brasileiro Vicente Feola também trocou o ponteiro-direito Joel por Garrincha e Dida por Pelé. Antes, no empate sem gols com a Inglaterra, já havia optado por Vavá no lugar de Mazola, num time que terminou a competição com Gilmar; Djalma Santos, Belini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo.

 

Zito surgiu no Santos na década de 50 e em 1957 já era o capitão da equipe do tipo mandão. Se preciso fosse encararia até Pelé com dedo em riste. Naquele ano o time era formado por Manga; Nilson e Feijó; Ramiro, Formiga e Zito; Tite, Del Vechio, Pagão, Jair (Pelé) e Pepe.

 

Zito tinha bom passe e de vez em quando fazia alguns golzinhos, três deles na seleção brasileira nos exatos 50 jogos que participou. Ele contou que o gol mais importante na carreira foi na virada de placar contra a Tchecoslováquia na final da Copa do Mundo de 1962, no Chile. Aos 25 minutos do segundo tempo, Amarildo cruzou e ele, de cabeça, fez 2 a 1. Depois Vavá selou o bicampeonato num time dirigido pelo treinador Aimoré Moreira e com Nilton Santos como único remanescente da defesa titular de 1958. O quarteto defensivo de 1962 tinha Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos.

 

Zito foi um colecionador de títulos paulistas no Santos, única camisa de clubes que vestiu: 1958, 60, 61, 62, 64, 65 e 67. Um ano depois pendurou as chuteiras após o Santos ter descoberto o seu sucessor: Clodoaldo.

 

Zito torceu o nariz com o surgimento do volante de contenção criado pelo Fluminense em 1964, com Denílson. A moda pegou e hoje é comum os clubes adotarem até três pegadores no setor.

 

Além de bois e imóveis, a bola deu-lhe uma empresa de artefatos de borracha, com cerca de 100 funcionários, administrada pelo filho Júnior. Zito foi supervisor e diretor do Santos, mas por fim preferiu sombra e água fresca. Afinal merecia.

 

Por Ariovaldo Izac

 


Fale com a Folhablu

Fones: (47) 3232 7154 | 9138 4105
Redação: webmaster@folhablu.com.br
Comercial: comercial@folhablu.com.br
Financeiro: financeiro@folhablu.com.br
Skype: skype@folhablu.com.br

Blumenau – SC
Folhablu notícias e publicidade digital - Todos os direitos reservados
Proibida a reprodução total ou parcial