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Portugal, um campeão europeu sem graça

Publicado em: 2017-09-23 15:05:56

Finalmente a seleção portuguesa tem em seu currículo um título expressivo. Azar do futebol. O título de campeão europeu elevou Portugal a um outro patamar no ranking do futebol. Não, não faltava prestígio ao futebol português. O sucesso mundial do Benfica nos anos 60, a seleção de Eusébio na Copa do Mundo de 1966 e o time comandado por Felipão na Euro de 2004 já colocaram os portugueses em um rol bastante restrito. Portugal era uma espécie de campeão sem taça. Não é mais. Cristiano Ronaldo deu aos portugueses o que faltava. Mas agora Portugal é um campeão sem brilho.

 

Em 1966, na Copa do Mundo da Inglaterra, a seleção portuguesa surpreendeu o mundo ao atropelar - literalmente - os brasileiros, então campeões mundiais. Literalmente, porque Portugal venceu na bola e na violência uma seleção brasileira confusa por 3 a 1. Naquele ano, Portugal fazia sua estreia em Copas do Mundo. Comandada pelo craque Eusébio, o Pantera Negra, a seleção portuguesa passou invicta pela fase de grupos. Nas quartas de final, mais uma atuação de gala do craque português nascido em Moçambique: depois de estar perdendo por 3 a 0 para a também surpreendente Coreia do Norte, a seleção portuguesa virou o placar para 5 a 3, com 4 gols do Pantera Negra. Naquela Copa, os portugueses só foram parados pela anfitriã Inglaterra na derrota por 2 a 1 na semifinal. Na disputa de terceiro lugar, nova vitória portuguesa: 2 a 1 sobre os soviéticos. Foram 5 vitórias em 6 jogos disputados.

 

Em 2004, a Eurocopa foi disputada em Portugal. Os donos da casa tinham até então uma seleção contestada pela crítica e pela torcida. Com um técnico brasileiro, o já campeão do mundo Luiz Felipe Scolari, imprensa e torcedores criticavam a insistência de Felipão em manter como seu homem de confiança um camisa 10 também brasileiro, o meia Deco. Felipão repetiu a estratégia acertada de dois anos antes, quando apostou suas fichas em Ronaldo e em Rivaldo na Copa do Mundo, e apostou tudo o que tinha em Deco.

 

Depois de uma derrota na estreia contra a Grécia, o time de Felipão embalou e venceu Rússia e Espanha ainda na fase de grupos. Nas quartas de final, depois de um empate em 2 a 2 com a Inglaterra em uma partida fantástica e eletrizante, os portugueses foram à semifinal ao derrotarem os ingleses nos pênaltis. Na semifinal, a seleção e Deco, Figo e o novato Cristiano Roanldo derrotou a Holanda por 2 a 1. Na final, o banho de água fria: nova derrota para a Grécia, o mesmo algoz da estreia.

 

Dois anos depois, na Copa do Mundo de 2006, Felipão manteve o nome de Portugal entre os grandes. Depois de 3 vitórias na fase de grupos contra Angola, Irã e México, Portugal derrotou a Holanda - de novo ela - nas oitavas de final. Nas quartas de final nova coincidência repete a Euro: Portugal derrota a Inglaterra nos pênaltis depois de empate em 0 a 0 no tempo normal. O time de Felipão chegou cheio de moral à semifinal, o que não foi suficiente para segurar a França de Zidane: derrota de 1 a 0. Como em 1966, Portugal foi à decisão de terceiro lugar, mas desta vez contra os alemães, donos da casa. E o time de Felipão sofreu nova derrota: 3 a 1 para a Alemanha. Mas Portugal estava definitivamente no rol dos grandes do futebol. Só faltava um título de expressão.

 

De lá para cá, cada vez mais dependente do astro Cristiano Ronaldo, a seleção portuguesa foi perdendo o brilho e, entre tropeços, colecionando decepções. Até que em 2016, na Eurocopa disputada na França, o time de uma estrela só, ao estilo "trancos e barrancos" dos últimos anos, deu a Portugal o que nem Eusébio, nem Deco, nem Figo conseguiram: um título.

 

Na primeira partida da Euro, Portugal não passou de um empate com a surpreendente Islândia. No segundo jogo, novo tropeço: 0 a 0 com a fraca Áustria. Mesmo com Cristiano Ronaldo - e só com ele -, a seleção portuguesa não engrenava. Na terceira partida, nova decepção: 3 a 3 contra a Hungria. Com três empates em tres jogos e com apenas o terceiro lugar no grupo, Portugal conseguiu sua classificação para as oitavas de final através do índice técnico.

 

Na fase seguinte, enfim a primeira vitória portuguesa: um magro 1 a 0 sobre a Croácia. Nas quartas de final, mais sofrimento para a torcida portuguesa. Depois de mais um empate no tempo normal, desta vez por 1 a 1 contra a Polônia, Portugal só chegou à semifinal depois de fazer 5 a 3 nos pênaltis. A semifinal foi o único lampejo de bom futebol apresentado pela seleção portuguesa. O time de Cristiano Ronaldo despachou o País de Gales com vitória por 2 a 0. Portugal voltava finalmente a uma final de Euro 12 anos depois. Do outro lado, a França, dona da casa, que havia passado pela temida Alemanha na semifinal.

 

Poucos apostavam suas fichas em um título português. Mesmo invicta, a seleção portuguesa chegou à final com apenas duas vitórias no currículo. Como derrotar a França, dona de 5 vitórias e um empate até então? Vá tentar explicar o futebol. Jogando na defesa, apostando tudo no brilho do craque Cristiano Ronaldo e esperando por uma única bola salvadora. Foi assim que a seleção portuguesa entrou em campo para a final contra os donos da casa. E foi o que aconteceu. Éder foi o autor do gol que deu a Portugal o título europeu que outros tantos times portugueses bem mais brilhantes jamais conseguiram.

 

Hoje finalmente o futebol de Portugal tem o título que nunca teve, mas também joga uma bolinha sem graça como poucas vezes se viu. Vá entender o futebol...

 

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Por Fábio Souza

 


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