Folhablu | 1984: uma medalha de prata improvável para uma seleção improvável


1984: uma medalha de prata improvável para uma seleção improvável

Publicado em: 2017-12-29 12:37:50

 

A desorganização que graça no futebol brasileiro é quase tão conhecida em todo o planeta quanto seu inesgotável celeiro de craques. Mas, acredite, já foi pior. Bem pior. Determinadas conquistas nacionais tem muito mais a ver com o talento e a raça dentro de campo do que a estrutura oferecida fora dele. A conquista da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, é um desses casos.

 

A seleção brasileira que disputou o torneio olímpico de futebol naquela Olimpíada é um exemplo do que é o futebol brasileiro fora de campo. Sem organização e interesse suficientes para montar e treinar um time que honrasse as cores nacionais em Los Angeles, a CBF saiu-se com um plano B que já havia sido utilizado outras vezes, mas, graças ao bom Deus, jamais voltou a ser colocado em prática. E não é que, como em outras vezes, o tal plano B deu certo? Não por obra dos cartolas, é sempre bom lembrar, mas do empenho e superação de jogadores e comissão técnica.

 

Naquele já longínquo 1984 a equipe do Internacional de Porto Alegre tirou a camisa colorada e se vestiu de amarelo para representar a seleção olímpica brasileira. Com o reforço do então jovem jogador Gilmar, do Flamengo, que um ano antes havia conquistado a Copa do Mundo de Juniores, junto de outras revelações como Bebeto e Dunga, o Inter foi a Los Angeles e trouxe de lá uma inédita medalha de prata para o futebol brasileiro. O time do Internacional na época contava em seu elenco com jogadores como o goleiro Gilmar e o volante Dunga, que se tornariam campeões do mundo dez anos depois, o zagueiro Mauro Galvão, o lateral Luiz Carlos Winck, e só. O restante do plantel era formado por jogadores no máximo esforçados. Mas surpreendentes.

 

Na primeira fase, o Brasil enfrentou a ainda existente Alemanha Ocidental, Marrocos e Arábia Saudita. Foram três vitórias na primeira fase: 3 a 1 sobre a Arábia Saudita, 1 a 0 sobre a Alemanha e 2 a 0 sobre Marrocos. A facilidade encontrada no início do torneio não se repetiu nas quartas de final. Depois de um empate em 1 a 1 contra a inexpressiva seleção do Canadá, a vaga para a semifinal foi conquistada nas penalidades máximas: 4 a 2 para o Brasil. Na semi, uma nova e difícil batalha decidida apenas na prorrogação. A seleção brasileira derrotou a Itália por 2 a 1 com gol de Ronaldo aos 5 minutos do tempo extra. E o Brasil chegava à sua primeira final olímpica, reacendendo o sonho do ouro, com um time improvável.

 

Na grande decisão do ouro, porém, o Brasil se deparou com a França, que havia despachado com um sonoro 4 a 2 na semifinal a Iugoslávia, o time mais encantador do torneio até ali. O mesmo estádio Rose Bowl, em Pasadena, onde dez anos depois o Brasil se consagraria como primeiro tetracampeão do mundo da história, desta vez viu o futebol brasileiro sucumbir diante da seleção francesa que venceu a partida final por 2 a 0.

 

Chorar a derrota? Nem pensar! Uma medalha olímpica era tão improvável quanto nos parece hoje um clube representar a seleção brasileira em um torneio de tamanha importância. Aprender com os erros? Nem tanto. Embora jamais tenha voltado a ocorrer tamanha patacoada, o futebol brasileiro tampouco se profissionalizou a ponto de ter, digamos, um primor de organização. Entre idas e vindas, o sonho do ouro olímpico, que passou a ser perseguido à exaustão a partir daquele corajoso time de 1984, só se tornou realidade em 2016, no Rio de Janeiro.

 

Mais do que uma improvável medalha, aquela improvável seleção nos devolveu o direito de sonhar com o topo do pódio. Tudo graças àqueles improváveis heróis.

 

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Por Fábio Souza

 

 


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