Folhablu | Bancários cobram proposta com aumento real e respeito aos empregos


Bancários cobram proposta com aumento real e respeito aos empregos

Publicado em: 2018-08-16 16:46:11

Nesta sexta-feira, dia 17, o Comando Nacional dos Bancários volta à mesa de negociação com a federação dos bancos (Fenaban) esperando proposta decente para ser apresentada aos trabalhadores. É a sétima rodada da Campanha Nacional Unificada 2018.

 

Na última negociação, no dia 7, os bancos apresentaram proposta que previa somente reposição da inflação, medida pelo INPC, para salários, pisos e demais verbas, como PLR, VA, VR e auxílio-creche/babá, sem aumento real.

 

“Os bancários deixaram claro, em assembleias realizadas em todo o Brasil no dia 8, que não vão aceitar proposta sem aumento real. Não admitem nenhum direito a menos e isso se aplica também aos acordos específicos dos bancos públicos”, afirma Juvandia Moreira, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-Cut), uma das coordenadoras do comando.

 

“Os negociadores dos bancos afirmam querer resolver a campanha na mesa de negociação, mas até agora não trouxeram respostas a reivindicações fundamentais para a categoria, como manutenção dos empregos e a não adoção das novas formas de contratação previstas na lei trabalhista do pós-golpe, que precariza as relações de trabalho”, critica Juvandia.

 

“É decepcionante ver como os bancos regateiam com os direitos dos seus empregados, os principais responsáveis pelos excelentes resultados do setor”, afirma a dirigente. “O lucro dos cinco maiores que compõem a mesa de negociação (BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander) cresceu quase 34% em 2017. Como podem pensar em não pagar aumento real aos trabalhadores? E as demandas de saúde, de emprego, a manutenção dos direitos? Queremos compromisso assinado na Convenção Coletiva de Trabalho de que os bancários não serão trocados por terceirizados, intermitentes, temporários, PJs”, ressalta a presidenta da Contraf-Cut.

 

O lucro líquido dos cinco maiores somou R$ 77,4 bilhões em 2017. Isso significa 33,5% a mais que no ano anterior. E em 2018 não será diferente: no primeiro trimestre já lucraram R$ 20,6 bilhões, 20,4% a mais que no mesmo período de 2017.

 

Um setor que ganha tanto não tem razão para demitir ou rebaixar salários, mas é exatamente isso que os bancos estão fazendo. Desde 2016, mais de 40 mil empregos bancários foram extintos no setor. Os contratados ganham menos: no primeiro semestre de 2018 a diferença de remuneração entre os admitidos e desligados foi de 36%. Dessa maneira, a massa salarial do setor em 2017 caiu 2% em relação ao que era em 2012.

 

Os bancários são uma das poucas categorias no país que possui Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com validade nacional. Os direitos conquistados têm legitimidade em todo o país. São cerca de 485 mil bancários no Brasil. 

 


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