Folhablu | Pesquisa da Usp vence o Prêmio Péter Murányi


Pesquisa da Usp vence o Prêmio Péter Murányi

Publicado em: 2016-03-07 04:01:52

O que todo produtor, comerciante e consumidor de frutas tropicais almeja pode, num futuro próximo, ser alcançado. Um trabalho liderado pelo professor Franco Lajolo, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-Usp), está abrindo caminho para o desenvolvimento de novas tecnologias de conservação de frutas a partir do entendimento dos seus mecanismos de amadurecimento. O avanço nesta área do conhecimento possibilitará diminuir as perdas pós-colheita e oferecer ao consumidor final um produto melhor, mais nutritivo, doce e firme.

 

A pesquisa, focada em produtos de alto valor comercial no Brasil - banana, mamão e manga - é tão importante em termos de inovação e impacto social que venceu o Prêmio Péter Murányi 2016 - Alimentação, no valor de R$ 200 mil. "O trabalho saiu vencedor entre mais de 90 inscritos; e passou pelo crivo de uma comissão técnica científica altamente competente", afirmou Zilda Vera Murányi Kiss, presidente da fundação que organiza o prêmio. Acabou sendo escolhido entre três finalistas por um júri composto por 27 integrantes, que se reuniu na tarde de quarta-feira, dia 17, na Sala do Conselho do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), em São Paulo. "O trabalho tem um impacto social grande, pois possibilita diminuir os índices de perdas de frutas pós-colheita, mantendo um padrão de alta qualidade", destacou.

 

O mérito do trabalho foi mostrar quais são as vias metabólicas para a transformação do amido em açúcar (as enzimas envolvidas e o seu controle) e identificar as enzimas que atuam na degradação da parede celular, ou seja, na textura da fruta. No final, chegou-se à conclusão de que as mudanças dependem da síntese de enzimas, da expressão de genes específicos em determinados períodos do pós-colheita e de hormônios, como o etileno e auxinas. E mais: descobriu-se que a velocidade da transformação varia conforme o cultivar.

 

"Identificamos uma variedade com mais resistência ao frio, fator importante para garantir a qualidade do produto no transporte de longa distância", conta o coordenador da pesquisa, o professor Lajolo, que também é membro do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC - FoodResearch Center) - um dos centros de excelência apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

 

O trabalho do professor Lajolo, intitulado Bases Moleculares das Transformações Pós-Colheita e Qualidade de Frutas, foi realizado em conjunto com os professores doutores Beatriz Rosana Cordenunsi e João Roberto Oliveira do Nascimento, ambos da FCF-Usp. O trabalho, no âmbito do Prêmio Péter Murányi, concorreu com dois finalistas de peso: a Embrapa Instrumentação Agropecuária e a Universidade Federal de Goiás.

 

Esta é quarta vez que a Universidade de São Paulo sai vencedora do Prêmio Péter Murányi, desde que ele foi lançado em 2002. De lá para cá, mais de R$ 2 milhões foram concedidos em prêmios para pesquisadores e instituições cujos trabalhos se destacaram como inovações que podem melhorar a qualidade de vida nos países em desenvolvimento. "Este foi o desejo do meu pai, materializado com a criação da Fundação Péter Murányi após sua morte", conta a presidente da fundação.

 

Única iniciativa privada do gênero no país, o Prêmio Péter Murányi é concedido anualmente, de forma alternada, em quatro áreas: saúde, educação, alimentação e desenvolvimento científico & tecnológico. A próxima edição será focada na área da educação. As inscrições terão início em maio próximo pelo site www.fundacaopetermuranyi.org.br.

 


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