Folhablu | Santa Catarina recebe recursos para ações de prevenção ao suicídio


Santa Catarina recebe recursos para ações de prevenção ao suicídio

Publicado em: 2018-05-24 18:31:49

 

Santa Catarina é um dos estados beneficiados com recursos do governo Federal para ações de prevenção ao suicídio. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, dia 21, pelo Ministério da Saúde (MS) e a portaria já foi publicada no Diário Oficial da União.

 

O montante de R$ 1,4 milhão deve ser aplicado em ações realizadas em seis capitais, sendo Manaus, Campo Grande, Boa Vista, Teresina, Porto Alegre e Florianópolis.  Os locais são considerados prioritários para as ações da Rede de Atenção Psicossocial devido ao alto índice de suicídio registrado na última década.

 

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem apresentado taxas crescentes, o que configura um problema grave de saúde pública. Os recursos, que variam entre R$ 220 mil e R$ 250 mil, serão repassados em parcela única do Fundo Nacional de Saúde para o Fundo Estadual de Saúde. Esse montante pode ser usado pelos Serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), tais como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), ambulatórios, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em serviços de urgência e emergência.

 

Em 2017, o Ministério da Saúde divulgou dados que constam em um diagnóstico sobre casos de suicídios no país. A alta taxa registrada na região sul é preocupante. Embora representem 14% da população nacional, os três estados da região registraram 23% dos casos de suicídio. Entre 2010 e 2016 foram registrados 3867 óbitos em Santa Catarina, principalmente entre a faixa etária de 40 a 59 anos. Alto Uruguai e o Extremo Oeste foram as regiões com maior número de ocorrências.

 

A psiquiatra e coordenadora estadual de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, Deisy Mendes Porto, esclarece que o crescimento do número de suicídios acompanha a expansão de doenças como a depressão, além do abuso de drogas.

 

Com o incentivo financeiro do Ministério da Saúde para o Plano Estadual de Prevenção ao Suicídio, o foco da Secretaria de Estado da Saúde (Ses) é a capacitação de profissionais e criação de estratégias para divulgação de informações para incentivar aqueles que têm doenças ou transtornos mentais procurarem ajuda. “Isso envolve também o investimento em oferta de assistência nos Centro de Atenção Psicossocial, ampliação de leitos e de toda a rede de atenção psicossocial”, comenta Deisy, ressaltando que é compromisso do estado trabalhar de forma preventiva para reduzir o número de suicídios. “Reduzir o estigma e melhorar o acesso das pessoas ao tratamento são as metas atuais da Ses. O objetivo é reduzir em 20% até 2020”, reforça a psiquiatra.

 

Ainda segundo a coordenadora, não há uma única causa para o suicídio. Mais de 90% das vítimas apresenta pelo menos um transtorno psiquiátrico, especialmente a depressão, considerada um dos principais fatores de risco. “Pais e escolas devem estar atentos e capacitados para identificar as transformações que apontam para condutas de risco. Profissionais de Saúde precisam estar aptos a manejar os casos de risco e tentativas de suicídio”, observa.

 

O secretário de Estado da Saúde, Acélio Casagrande, lembra que a pressão social também impacta os jovens. Para o bom atendimento em Saúde Mental, a Ses conta com o apoio dos municípios, que sediam os Caps. “Por meio da parceria entre estado, município e união temos condições de atender estas pessoas que procuram os serviços nas unidades de saúde. Nos hospitais também existem equipes preparadas para dar o suporte. O Plano Estadual de Prevenção ao Suicídio vem para mostrar a atenção que o Estado tem dado a este problema”, acrescenta o secretário.

 

Entre as atividades programadas para este ano pela secretaria está a realização do Setembro Amarelo com a iluminação de prédios públicos, palestras nas comunidades, além de outras ações com base científica e de forma continuada.

 

Ainda para prevenção do suicídio, o Ministério da Saúde assinou em 2017 um termo de cooperação técnica com o Centro de Valorização à Vida (CVV) para que as ligações telefônicas da população para o número 188 sejam gratuitas. A partir disso, houve aumento significativo da procura, sendo que, em 2017, o CVV recebeu dois milhões de ligações de cidadãos em busca de ajuda, o dobro do registrado em 2016. Atualmente, 23 estados do Brasil estão contemplados e já podem contar com o atendimento, por meio do número 188, em suas localidades e até 30 de Junho de 2018 todo o território nacional poderá contar com o atendimento gratuito do CVV.

 

O telefone ainda é o meio mais utilizado pela população para acessar o apoio emocional oferecido pelo CVV. O atendimento é realizado por voluntários e permite falar sobre sentimentos, em um ambiente acolhedor e seguro. Esse apoio alivia a ansiedade, o desespero e conduz ao afastamento de eventuais pensamentos suicidas.

 

Em setembro de 2017, o Ministério da Saúde lançou a campanha de prevenção do suicídio com o tema: “Saber, Agir e Prevenir. O objetivo foi esclarecer que, apesar de sua complexidade, o suicídio pode ser prevenido. Materiais informativos, como cartilhas, folhetos e orientações de onde procurar ajuda foram divulgados no site do Ministério da Saúde e em toda a imprensa nacional. É importante saber, por exemplo, quais são os sinais de alerta, o que podemos fazer e o que não podemos sob uma situação de risco de suicídio, entre outras informaçõe.

 

Sinais de alerta que precisam ser observados:

  • Alteração inexplicada do comportamento;

  • Isolamento;

  • Tristeza persistente;

  • Alterações do sono e apetite;

  • Queda no rendimento escolar;

  • Mensagens com conteúdo suicida em mídias sociais. É preciso manter a atenção no que crianças e jovens fazem na internet;

Pais e responsáveis precisam ficar atentos, respeitando a privacidade sem negligenciar os riscos. Os recentes acontecimentos trazem à tona uma realidade comum: o assédio virtual ou cyberbullying.

 

Mais informações podem ser encontradas no site da Associação Catarinense de Psiquiatria (www.acp.med.br) e os locais de atendimento na rede pública estão disponíveis na página da Secretária Estadual de Saúde (www.saude.sc.gov.br).

 

 


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