Folhablu | O Serviço de Dor e Cuidados Paliativos do Hospital Nossa Senhora da Conceição


O Serviço de Dor e Cuidados Paliativos do Hospital Nossa Senhora da Conceição

Publicado em: 2018-03-11 08:40:35

Iniciado em abril de 1986, o Serviço de Dor e Cuidados Paliativos do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, começou atendendo pacientes no ambulatório e consultorias para portadores de dores crônicas e oncológicos com dor e outros sintomas, o que segue fazendo até hoje. “Fomos o segundo serviço de cuidados paliativos no Brasil”, diz Newton Barros, médico especialista em clínica médica com área de atuação em dor e medicina paliativa e chefe do Serviço de Dor e Cuidados Paliativos do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Após alguns anos, passou a contar também com oito leitos exclusivos de cuidado paliativo.

 

Sempre atuando como um serviço de dor, prestando assistência a pacientes com dor crônica em ambulatório geral, dor pélvica, cefaleia, acupuntura, lombalgia, grupo educativo-comportamental e cuidados paliativos, quase que totalmente atendendo pacientes com câncer, em ambulatório, consultorias na emergência e enfermarias, podendo chegar a 15 leitos em situações de superlotação do hospital.

 

Em seu total, a equipe dispõe de onze médicos, sendo dois médicos de família, três clínicos, um cirurgião oncológico, um ortopedista de coluna, um fisiatra, um neurologista, um psiquiatra e um anestesista, quatro enfermeiros, sendo um no ambulatório e três na enfermaria, uma psicóloga, um terapeuta ocupacional e um assistente espiritual voluntário. Além disso, nutricionista, fisioterapeuta e assistente social dividem seu tempo entre oncologia e cuidados paliativos. Alguns voluntários prestam assistência aos pacientes e familiares, inclusive a domicílio, em suas necessidades de vários tipos. “O serviço não possui equipe de atendimento domiciliar próprio e os pacientes que recebem alta hospitalar são acompanhados pelo Pad - Programa de Atenção Domiciliar - em Porto Alegre, e aqueles que vivem numa área próxima ao hospital são atendidos por equipes de saúde da família, com doze unidades básicas e atendimento domiciliar”, explica o médico Newton Barros.

 

Em média, todos os meses a equipe do Serviço de Dor e Cuidados Paliativos do Hospital Nossa Senhora da Conceição atende cerca de 200 pacientes ambulatoriais, 30 na enfermaria, 60 consultorias e 20 no comanejo. “Nesta última, a equipe é solicitada, mas não assume o paciente diretamente, deixando-o sob a responsabilidade do colega, mas revisa e discute com o mesmo as alternativas de tratamento de cada caso”, explica Newton Barros.

 

O tempo médio de permanência dos pacientes na unidade de cuidados paliativos é de 7,6 dias e o percentual de óbitos 45%. “Percebe-se que os pacientes chegam muito tarde para a equipe de cuidado paliativo, muitos em fase terminal. Nas consultorias, cerca de 10% dos pacientes já foram a óbito quando vistos pela equipe no dia seguinte à solicitação pela equipe de origem. Isso mostra a necessidade de difundir a importância do encaminhamento para cuidados paliativos de forma mais precoce”, diz Newton Barros.

 

Além da assistência, a equipe se dedica ao ensino e à pesquisa. Na parte de ensino, promove eventos dentro do hospital para todos os profissionais, aulas para residentes de outros serviços, campanhas, um curso anual multidisciplinar de qualificação em dor e cuidados paliativos com 180 horas, sendo em 2018 o quinto curso. Tem a residência médica em dor e em medicina paliativa, ambas com 2 vagas, passam pelo serviço médicos residentes de outros programas em seu estágio optativo, estudantes de medicina e de psicologia e residentes de psicologia, nutrição, serviço social, fisioterapia e enfermagem. “Nossa programação científica regular é diária, com seminário, clube de revista, aulas e rounds”, explica Newton Barros.

 

Em relação à pesquisa, possuem linhas relacionadas às diretivas antecipadas e outras direcionadas a dissertações de doutorado e pós-doutorado de alguns dos integrantes da equipe que estão cursando na Universidade do Porto, em Portugal. A equipe atualmente conta com três profissionais com título de doutorado, um com mestrado, um iniciando doutorado e outra iniciando pós-doutorado.

 

Segundo Newton Barros, o grande desafio permanece sendo a necessidade de difusão das práticas de atenção paliativa a outros profissionais, acostumados ao atendimento da doença e não do doente. “A atenção centrada na pessoa, suas necessidades, desejos, relações familiares, a comunicação efetiva, discussões sobre custo-benefício, que são parte importante do cuidado paliativo, precisam ser repetidas diariamente e discutidas com outras equipes com o objetivo de mudar a visão dirigida especificamente para a doença, o resultado do exame de laboratório, da tomografia, etc. Frequentemente discutimos na equipe as melhores formas de atuação em relação a este problema e uma delas (o comanejo), iniciada no ano passado, tem se mostrado eficiente”, explica Newton Barros.

 

Para o médico, trabalhar com cuidado paliativo é uma atuação de persistência devido à necessidade de mudança da cultura institucional, quando se trata de hospital, e profissional, que deve iniciar na faculdade ou na residência. “Entendemos que a equipe de Dor e Cuidados Paliativos deve ocupar uma posição de liderança nestes assuntos dentro da instituição, com a missão de modificar as práticas em relação ao manejo da dor crônica e dos pacientes com doenças crônicas avançadas”, diz Newton Barros.

 

Neste sentido algumas ações têm acontecido, como a criação da Comissão de Terminalidade, multidisciplinar, sob a liderança da equipe do Serviço de Dor e Cuidados Paliativos do hospital, que é destinada a discutir as questões que envolvem o cuidado aos pacientes em fase terminal, da qual surgiram dois projetos em implantação. Um dos projetos relaciona-se ao fluxo de comunicação do óbito a familiares quando o paciente está hospitalizado sem acompanhante, e o outro, chamado de Diretivas Médicas, trata-se de um documento no qual o médico assinala o que deve ser feito no caso de parada cardio-respiratória, tendo por base a conversa prévia com o paciente ou familiares, com a finalidade de uniformizar a comunicação entre as equipes.

 

O Serviço de Dor e Cuidados Paliativos funciona no Hospital Conceição, um hospital geral, o maior do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), com cerca de 800 leitos, composto também pelos hospitais Femina (só de mulheres, muitas com câncer ginecológico), Cristo Redentor (trauma, ortopedia, neurocirurgia), Criança Conceição e pelo Serviço de Saúde Comunitária (que atende uma população de aproximadamente 150 mil pessoas). “No momento estamos trabalhando na organização do Programa de Dor e Cuidados Paliativos do GHC que constará da criação de núcleos de profissionais nos outros 3 hospitais e na saúde comunitária, coordenada pelo nosso serviço, para difundir práticas e implementar protocolos de atendimento relacionados ao manejo da dor e cuidados paliativos”, explica Newton Barros.

 

 


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