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Cuidados paliativos não estão bem integrados ao sistema de saúde no Brasil

Publicado em: 2017-10-13 06:41:19

Todos os anos, no segundo sábado de outubro, é comemorado o Dia Mundial de Cuidados Paliativos.Este ano a World Hospice and Palliative Care Alliance (WHPCA), organização internacional não governamental lançou o tema “cobertura universal de saúde - não deixe aqueles que sofrem para trás”, baseado no compromisso assumido pelos países durante reunião na Organização Mundial da Saúde (OMS) para alcançar a cobertura universal de saúde até 2030.

 

 

Porém, segundo dados da WHPCA, existe um longo caminho para se cumprir esse compromisso em várias partes do mundo, pois em apenas 20 países os cuidados paliativos estão bem integrados ao sistema de saúde e o Brasil não está entre eles. Segundo levantamento recente realizado pela Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), atualmente no Brasil existem em torno de 130 equipes especializadas em cuidados paliativos. Estas equipes estão espalhadas ao longo de todo o território nacional e apresentam modalidades diferentes de atuação (intra-hospitalar, atendimento domiciliar, ambulatórios, consultórios e hospices). Considerando que o país conta com mais de 5 mil hospitais, sendo pelo menos 2.500 com mais de 50 leitos, nota-se que a demanda por atendimento de cuidado paliativo é muito superior à oferta disponível hoje.

 

Analisando a Classificação Internacional de Doenças (Cids) de pessoas que morreram, conforme estudo publicado em 2017, estima que dependendo do critério utilizado, de 24% a 68% dos óbitos registrados no Brasil teriam necessidades de cuidados paliativos. Em números absolutos, referentes aos 1.227.039 óbitos registrados no Brasil no ano de 2014, entre 294.489 e 834.387 pessoas por ano teriam necessidades de cuidados paliativos no país.

 

Além disso, de acordo com um relatório divulgado em 2014 pela OMS, as iniciativas de cuidado paliativo no Brasil ainda não são suficientes. No documento, os países foram classificados em quatro grupos, de acordo com o nível de desenvolvimento do cuidado paliativo, sendo 1 o pior e 4 o melhor. O Brasil ficou no grupo 3A (sendo o 3A considerado uma classificação inferior a 3B), com outros 94 países. Para se ter uma ideia segundo relatório da The Economist Intelligence Unit de 2015, o Brasil está na 42ª colocação, abaixo de países latino-americanos como Equador, Uruguai e Argentina e de países africanos como Uganda e África do Sul, mas à frente da Venezuela, que encontra-se na 45ª.

 

A WHPCA estima que 40 milhões de pessoas precisam deste atendimento anualmente no mundo, incluindo 20 milhões no final da vida. Porém, apenas 14% dessa necessidade de amparo está sendo atendida no final da vida, menos de 10% no total. O desafio aumenta, pois estima-se que 78% dos que necessitam receber os cuidados de profissionais paliativistas vivem em países de baixa e média renda, e que menos de 1% das crianças que precisam da assistência estão sendo atendidas.

 


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