Folhablu | Catorze cidades terão ação de conscientização sobre a sepse, que atinge 670 mil brasileiros por ano


Catorze cidades terão ação de conscientização sobre a sepse, que atinge 670 mil brasileiros por ano

Publicado em: 2016-08-27 07:18:59

Em 13 de setembro - Dia Mundial da Sepse -, o Instituto Latino-Americano de Sepse (Ilas) mobilizará catorze cidades brasileiras (São Paulo, Belo Horizonte, Blumenau, Brasília, Goiânia, Maceió, Manaus, Palmas, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, Vitória e Teresina), para ação de conscientização sobre a sepse junto à população, em locais de grande circulação, como rodoviárias e terminais de ônibus e metrô.

 

Na ocasião, será distribuída uma história em quadrinhos, criada pelo Ilas, que retrata de forma simples a questão da importância do rápido diagnóstico, permitindo o entendimento por leigos. Nesse dia, também, profissionais de saúde estarão à disposição da população para responder às dúvidas.

 

Além disso, o Ilas distribuirá essa história em quadrinho aos pacientes e aos familiares e um material específico para os profissionais de saúde do pronto-socorro e das unidades de terapia intensiva (UTI), em 1.700 instituições brasileiras.

 

A sepse hoje é responsável por mais óbitos do que o câncer ou o infarto agudo do miocárdio. Estima-se cerca de 15 a 17 milhões de casos registrados por ano no mundo, sendo 670 mil só no Brasil. Ao contrário do que se pensa, sepse - conhecida antigamente como septicemia ou infecção generalizada - não é um problema apenas de pacientes já internados em hospitais, pois a maioria dos casos é de pacientes atendidos nos serviços de urgência e emergência.

 

O Instituto Latino-Americano de Sepse avaliou em sua base de dados a mortalidade por sepse de pacientes provenientes de prontos-socorros. Os dados revelaram que 53,17% de pacientes com sepse, atendidos inicialmente em prontos-socorros (PS) de hospitais públicos, vão a óbito, enquanto em hospitais particulares esse número é de 25,8%. Possíveis explicações para essa diferença importante incluem dificuldade no reconhecimento precoce e um número inadequado de profissionais nos PSs de hospitais públicos.

 

“O reconhecimento precoce é a chave para o tratamento adequado. Todas as instituições devem treinar suas equipes, principalmente de enfermagem, para reconhecer os primeiros sinais de gravidade e dar atendimento preferencial a esses pacientes nos serviços de urgência”, explica o médico intensivista Luciano Azevedo, presidente do Ilas.

 

O médico alerta ainda que o tratamento adequado nas primeiras seis horas tem clara implicação no prognóstico e na sobrevida dos pacientes. “Medidas simples, como coleta de exames, culturas, antibióticos na primeira hora e hidratação podem salvar vidas”.

 

O grupo de maior risco para o desenvolvimento da sepse é formado por crianças prematuras e abaixo de um ano, e idosos acima de 65 anos; portadores de câncer; pacientes com aids ou que fazem uso de quimioterapia ou outros medicamentos que afetam as defesas do organismo contra infecções; pacientes com doenças crônicas, como insuficiência cardíaca, insuficiência renal e diabetes; usuários de álcool e drogas; e pacientes hospitalizados que utilizam antibióticos, tubos para medicação (cateteres) e tubos para coleta de urina (sondas).

 

Mas atenção: qualquer pessoa pode ter sepse. “Embora não existam sintomas específicos, todas as pessoas que estão com infecção e apresentam febre, aceleração do coração, respiração mais rápida, fraqueza intensa e, pelo menos, um dos sinais de alerta, como pressão arterial baixa, diminuição da quantidade de urina, falta de ar, sonolência excessiva ou ficam confusos (principalmente idosos) devem procurar imediatamente um serviço de emergência ou o seu médico”, esclarece o doutor Luciano Azevedo.

 

O desconhecimento da população em relação aos primeiros sintomas e, consequentemente o atraso na procura de auxílio, também é um dos entraves a serem vencidos. Uma pesquisa do Ilas em 134 municípios brasileiros mostrou que 93% dos entrevistados nunca tinham ouvido falar sobre a sepse. De forma oposta, 98% tinham conhecimento prévio sobre infarto.

 


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